Gripe suína: a primeira vítima brasileira

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, confirmou na tarde de domingo a morte de uma pessoa em Passo Fundo (RS) devido à gripe suína que tem o nome oficial de influenza A (H1N1). É o primeiro caso de morte de uma vítima da doença no Brasil.

Temporão informou que, desde o sábado passado, foram confirmados 36 novos casos da gripe. Com isso o total de pessoas infectadas no país é de 627. O nome do paciente não foi citado pelo ministro. Entretanto, o Hospital São Vicente de Paulo, de Passo Fundo, informou que se trata do caminhoneiro Vanderlei Vial, 29 anos, que esteve na Argentina a trabalho e retornou no dia 20 ao Brasil.

De acordo com o hospital, o caminhoneiro foi atendido na Fundação Hospitalar Santa Terezinha, de Erechim (RS). Ele ficou no local até a segunda-feira, quando foi transferido para Passo Fundo.

O Ministério da Saúde informou que o caminhoneiro esteve na Argentina por sete dias e começou a apresentar os sintomas de febre, tosse e dor muscular no último dia 15, ainda no país vizinho. Voltou ao Brasil no dia 19, quando foi internado. No dia seguinte, recebeu o diagnóstico da doença. Três dias depois, o paciente teve uma piora, apresentando insuficiência respiratória.

Mesmo devidamente assistido, com todos os cuidados intensivos que o caso requeria, infelizmente, ele veio a falecer domingo pela manhã relatou o ministro. Lamentamos a morte e reafirmamos que estamos lançando mão de todos os esforços para evitar mais óbitos.

Apesar da morte, o ministro afirmou que a transmissão do vírus no país ainda é restrita. Segundo ele, cerca de 75% dos casos foram importados , ou seja, as pessoas foram infectadas fora do país. Os outros casos são de pessoas que tiveram contato direto com esses doentes.

No Brasil essa transmissão é limitada e não sustentada. Ou seja, todos os casos diagnosticados no país são de pessoas que vieram de fora ou que essa transmissão se deu através de um vínculo epidemiológico forte explicou Temporão.

O ministro disse também que o índice mundial de letalidade dessa doença está próximo do verificado na gripe comum (0,4% dos casos). Até o momento, foram registradas 320 mortes, entre mais de 70 mil casos confirmados. Essa letalidade chegou a 2% no começo da epidemia.

O governo informou ainda que a morte registrada domingo não muda a estratégia das autoridades no combate à doença.

Vamos continuar seguindo a mesma linha traçada desde o início do plano de contingência, uma estratégia de contenção, tentando impedir que o vírus se dissemine no país acrescentou Temporão.

Outro caso que preocupa o ministério é o de uma estudante de 14 anos de São Gabriel (RS), diagnosticada com gripe suína, cujo estado de saúde ainda é considerado grave. De acordo com o Hospital Universitário de Santa Maria, no entanto, ela apresenta uma progressiva e significativa melhora no seu quadro.

A estudante está internada na Unidade de Terapia Intensiva e respira com a ajuda de equipamentos. Ainda não há previsão de alta.

A adolescente está no hospital desde o dia 21, e contraiu a doença após uma viagem a Buenos Aires, na Argentina. Além disso, a Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul investiga se a morte de um engenheiro americano em Montenegro (RS) tem relação com a gripe suína. Segundo nota emitida pela secretaria, um homem morreu na noite de sexta-feira depois de entrar em coma. O engenheiro mecânico de 59 anos chegou ao trabalho no estado no dia 21 e foi internado no hospital de Montenegro na última quarta-feira (24).

Os estados com mais casos registrados são São Paulo (308), Minas Gerais (69), Rio de Janeiro (66), Santa Catarina (45) e Rio Grande do Sul (40). Segundo o ministro, o aumento no número de casos no Brasil se deve ao crescimento no número de países com a doença (112 ao todo), ao aumento de viagens de brasileiros para os países que têm transmissão sustentada (EUA, México, Canadá, Chile, Argentina, Reino Unido e Austrália) e ao início do inverno no Hemisfério Sul. Diante disso, o ministro reforçou a recomendação de que crianças e pessoas mais velhas não façam viagens a esses países . (Com agências)