Congresso divulga pesquisa inédita sobre acidentes e lesões nas mãos

JB Online

SÃO PAULO - Foi apresentada nesta quinta-feira, no 29° Congresso Brasileiro de Cirurgia da Mão, em São Paulo, uma pesquisa inédita sobre a saúde das mãos e membros superiores dos brasileiros. Coordenada pelo Doutor Luiz Carlos Sobania, da Associação Brasileira de Cirurgia da Mão (ABCM), o Fórum Político Social divulgou um levantamento exclusivo relativo a lesões agudas de punho e mão, no período de 15 a 25 de Abril de 2009, realizado em 12 hospitais do país.

O resultado da amostragem realizada foi de 4.258 atendimentos num período de 10 dias. Os dados demonstram que as principais causas de acidentes ocorrem nos ambientes de trabalho e doméstico, já que 43% dos acidentes nas mãos são causadas no ambiente ocupacional, enquanto 37,5% devem-se a acidentes dentro de casa. Traumas relativos a acidentes de trânsito ocupam o terceiro lugar com 15,17% e acidentes durante a prática de esportes, agressões e outros representam 6,3%. Os homens estão entre os mais atingidos com 53% dos casos e as mulheres com 46%, sendo a faixa mais atingida dos 20 aos 40 anos com 29,6%.

Os resultados chamam atenção para a importância de um primeiro atendimento adequado após o trauma, já que dele depende toda a evolução do caso. O socorro mal conduzido gera graves sequelas ao acidentado, podendo causar incapacidade funcional e custos tanto para ele, quanto para a família, reduzindo a renda e aumentando os gastos. Estimativas da ABCM dão conta que, pelo menos, 50% das mãos mutiladas poderiam ser preservadas se o primeiro atendimento fosse realizado por um cirurgião de mão.

- É importante ressaltar que a maior incidência dos acidentes e traumas da mão atingem a população economicamente ativa e o afastamento dessas pessoas de suas respectivas atividades, provoca um sério impacto econômico-social - adverte Dr. Flávio Faloppa, presidente do Congresso.

O especialista alerta ainda que a maioria dos casos que chega ao atendimento de emergência, não recebe atendimento especializado, o que afeta o tratamento e causa sequelas irreversíveis.

- Este é um quadro que precisa mudar, já que existe uma legislação específica para atender a essa demanda e que não está sendo cumprida - completa Dr. Faloppa.

O médico se refere à portaria nº3642, de 1998, aprovada pelo então Ministro da Saúde José Serra que "determina que entre os médicos que compõem as equipes profissionais do Sistema Estadual de Referência Hospitalar e Atendimento de Urgência e Emergência, exista o especialista em Cirurgia da Mão, considerando a frequência de lesões traumáticas de Mãos, devido a explosões, esmagamentos em acidentes automobilísticos e acidentes de trabalho" . Atualmente, esta portaria não é cumprida e nenhum pronto-socorro dispõe de atendimento médico especializado.