Recaída assombra 55% dos ex-fumantes

Marcelo Gigliotti, Jornal do Brasil

RIO - A batalha não acaba quando a pessoa consegue parar de fumar. A recaída é muito grande: 55% dos ex-fumantes voltam ao cigarro depois de um ano. Os tratamentos médicos disponíveis agem sobre a dependência física, que é um senão o mais forte componente do vício. Mas é preciso superar a dependência psicológica e comportamental.

O cigarro age como válvula de escape para o fumante. E também em muitos casos como amigo e companheiro. Por isso, no tratamento, é fundamental o fumante e o ex-fumante entenderem o papel do cigarro na sua vida. Muitos pensam que ele é um calmante, mas é na verdade um estimulante. A pessoa pensa que fica mais calma, mas o que há é uma sensação de prazer temporária diz Ricardo Meirelles, pneumologista do Inca.

Um outro passo importante, diz Meirelles, é identificar as associações que se faz com o cigarro. Por exemplo, fumar depois do almoço, ou junto com o cafezinho. Ou quando se liga a TV ou se atende o telefone:

Na verdade, muitas vezes a pessoa fuma por reflexo condicionado, sem estar, até mesmo, precisando fisicamente da nicotina.

Segundo Meirelles é preciso combater estes reflexos.

Se a pessoa fuma após o almoço, uma estratégia é escovar os dentes, ou beber água, ou mastigar uma cenoura ou cristais de gengibre.

Se parou, não pode acender o cigarro de jeito nenhum. Aí que entra a força de vontade. O bom é que hoje em dia há muitas restrições para o ato de fumar, proibido em muitas empresas e em ambientes fechados, como shoppings.

Além disso, diz o médico, o ex-fumante deve se ater aos benefícios que tem ao parar.

A pele fica mais bonita, o paladar melhora, a disposição aumenta. Focando nestes bebenefícios, a recaída é menos frequente assegura o médico.

Domingo, Dia Mundial Sem Tabaco, é uma boa oportunidade para seguir estes conselhos.