Parar de fumar requer decisão, mas medicina dá boa ajuda

Marcelo Gigliotti, Jornal do Brasil

RIO - Todo mundo sabe que o tabagismo faz mal à saúde, provoca doenças e mortes até mesmo os fumantes. O problema é conseguir parar de fumar, um desafio enorme para os adeptos das baforadas. Embora haja o discurso de que parar de fumar exige sobretudo determinação e força de vontade, especialistas na luta contra o tabagismo reconhecem que na maioria dos casos recorrer a um tratamento aumenta bastante as chances de largar o vício.

O mais importante é a motivação da pessoa. Mas a partir do momento em que ela decide parar, o ideal é buscar orientação médica ou um grupo de apoio diz o pneumologista do Instituto Nacional de Câncer (Inca) Ricardo Meirelles.

Segundo o médico, a chance de a pessoa parar de fumar aumenta em 45% com apoio de diversas terapias. Estas tratamentos têm sido bem sucedidos. E não se trata apenas de uso de medicamentos. Até mesmo a acupuntura tem sido empregada com boa dose de êxito.

A dificuldade em parar se dá principalmente pela síndrome da abstinência da nicotina. A substância libera o neurotransmissor dopamina, que dá sensação de prazer.

Segundo o médico do Inca, existem medicamentos que minimizam esta síndrome, facilitando o abandono do vício. São adesivos, pastilhas e gomas de mascar com uma concentração menor da nicotina.

Estes produtos têm a vantagem de não conter alcatrão e outras substâncias tóxicas presentes na fumaça do cigarro - diz Meirelles.

Ele ressalta, porém, que é fundamental que haja acompanhamento médico, pois é preciso fazer uma diminuição gradual da dose destes repositores de nicotina. O tratamento com estes produtos dura quatro meses, segundo ele.

A ideia é ir reduzindo aos poucos a quantidade de nicotina, para o cérebro aprender a funcionar sem ela enfatiza.

Há ainda outras terapias, que usa medicamentos que não contém nicotina e que têm sido utilizados nos tratamentos para parar de fumar. Trata-se do uso de antidepressivos que aumentam o nível de dopamina no sangue e, ao mesmo tempo parecem agir sobre a área do cérebro que provoca a síndrome da abstinência.

Com estes medicamentos, aos poucos a pessoa vai perdendo a vontade de fumar diz o pneumologista do Inca.

Acupuntura

A acupuntura também funciona de modo parecido. Ela estimula pontos do corpo que liberam neurotransmissores, como endorfina, serotonina e dopamina.

O organismo fica como que inundado de neurotransmissores, simulando os efeitos da nicotina diz Márcio de Luna, presidente da Associação Brasileira de Acupuntura.

Segundo ele, que emprega o método há 20 anos, há 80% de chances de parar de fumar:

Para cada ano de dependência, calculamos um mês de tratamento, com duas sessões semanais.

Há uma outra classe de medicamentos que utiliza a vareniclina. Esta substância, segundo o médico do Inca, se aloja no receptor de nicotina no cérebro. E também libera dopamina.

Por ficar no receptor nicotínico do cérebro, quando a pessoa fuma, a nicotina não tem onde se alojar. Com isso, vai diminuindo a vontade de fumar explica.