Ocupação de encostas, gado e fogo são vilões da Mata Atlântica

Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Para o professor Rogério Ribeiro de Oliveira, do departamento de geografia PUC-Rio, os três vilões que corroem a Mata Atlântica no estado são as ocupações das encostas por residências (mais de classe média alta do que favelas, segundo o professor), a presença de gado e o fogo.

Cada pisada da vaca pesa 100 quilos. Isso compacta o solo e não permite mais que a água se infiltre no solo explica Oliveira. Se a mata só pegou fogo a floresta ainda consegue se recuperar, Mas se pegou fogo e o gado a pisoteou fica muito difícil.

O professor Oliveira estima que a recuperação de um hectare custe entre US$ 3 mil e US$ 4 mil. Cerca de 90% do valor é gasto com mão de obra. Após o plantio da muda, deve ser feito um trabalho de manutenção por no mínimo seis meses.

Mas uma tarde de passeio de um cabrito pela área pode arrasar com o trabalho. Os balões de festa junina também são um problema terrível enumera Oliveira. Podem acabar com um ano de trabalho. A manutenção da Mata Atlântica não é uma questão de obras, nem de investimento maciço, mas de uma mudança de mentalidade da população.

A falta de um órgão que fiscalize os números divulgados pelas empresas é um dos entraves considerados pelo engenheiro florestal Marcelo da Silva. Diretor da Biovert, empresa especializada em reflorestamento, Marcelo da Silva diz que uma empresa pode anunciar que fez o replantio de milhares de árvores, mas que esse número pode não ser real.

Uma empresa que queira colocar um anúncio de página inteira, inventando que está fazendo um reflorestamento de tantos hectares, consegue fazê-lo. Não há um órgão que fiscalize esse trabalho critica o engenheiro.

Outro obstáculo para o sucesso de um reflorestamento, conta marcelo da Silva, são as formigas. O passo inicial de um trabalho desses é o controle desses insetos. Caso contrário, eles comerão as mudas.

Primeiramente temos que controlar a formiga, que come as mudas. Ela se alimenta do fungo das folhas que leva para o formigueiro. As mudas não conseguem se desenvolver.

Como se não bastasse, ainda há o capim, que compete com as mudas por água e luz. Para controlá-lo usa-se técnicas de plantio ou então a poda pura e simples.

A competição é muito grande por nutrição e água. Em um período de estiagem maior, o capim tem muito mais capacidade de extrair água do terreno do que a muda explica o engenheiro. O capim vai competir por água o tempo inteiro. Normalmente a gente só faz esses plantios após boa chuva

Marcelo da Silva calcula que o custo da muda plantada e mantida por um ano fica entre R$ 10 e R$ 12,50.

Depende da condição em que o terreno está, a distância. A logística influencia muito. Terrenos inclinados são mais complicados.