EUA dizem ter uma das políticas climáticas mais rígidas

Alister Doyle, REUTERS

PARIS - Os EUA defenderam na terça-feira seu plano para a redução das emissões de gases do efeito estufa, qualificando-o como um dos mais ambiciosos do mundo, num momento em que grandes economias reunidas em Paris saíram em apoio a uma proposta mexicana para arrecadar verbas para o combate ao aquecimento global.

"Os Estados Unidos estão propondo fazer uma mudança sísmica" no sentido de endurecer suas políticas, disse o enviado especial do governo Obama para questões climáticas, Todd Stern, após dois dias de discussões entre 17 grandes emissores de gases do efeito estufa, como China, União Europeia, Índia e Rússia.

- Se vocês olharem o que os EUA estão propondo em relação a onde estamos agora - que é, afinal, tudo o que podemos controlar - é tão ambicioso quanto qualquer coisa que alguém no mundo esteja propondo - disse ele em entrevista coletiva.

Muitos países na reunião, inclusive a França e grandes nações em desenvolvimento, querem que Washington faça cortes mais drásticos nas emissões do que aqueles que o presidente Barack Obama propõe para até 2020, como parte de um novo tratado da ONU a ser definido em dezembro em Copenhague.

O ministro francês do Meio Ambiente, Jean-Louis Borloo, disse que as metas dos EUA para 2020 ficam aquém dos conselhos dos cientistas.

- Não é difamador da parte de ninguém dizer isso - e acho que os norte-americanos o sabem - afirmou.

Uma comissão parlamentar dos EUA decidiu na semana passada que até 2020 o país deve emitir 17 por cento menos gases do efeito estufa do que em 2005, o que deixa o país cerca de 4 por cento abaixo do parâmetro estipulado pela ONU, que são as emissões de 1990. Para 2050, a meta dos EUA é uma redução de 83 por cento em relação a 2005.

A União Europeia planeja cortar suas emissões até 2020 para 20 por cento abaixo dos níveis de 1990, e aceita chegar a 30 por cento se outros países assumirem compromissos nesse sentido.

Stern disse que o plano dos EUA é forte, em parte porque mapeia os cortes a serem feitos durante todo o período até 2050.

Em Pequim, uma importante autoridade disse que a China poderia ser mais flexível nas suas reivindicações para que até 2020 os países ricos promovam cortes de pelo menos 40 por cento nas suas emissões, em relação a 1990.

A declaração sugere que o eventual acordo de Copenhague pode girar mais em torno de princípios do que de metas rígidas.

- Será difícil alcançar um acordo que satisfaça todos, por exemplo, com os países desenvolvidos cortando as emissões em 40 por cento - disse à Reuters Gao Guangsheng, dirigente do Comitê Nacional de Coordenação para a Mudança Climática.