Corte menor para curar a catarata

Marcelo Gigliotti, Jornal do Brasil

RIO - Um novo equipamento, já em uso no Brasil, permite que a cirurgia de catarata seja menos agressiva, proporcionando uma recuperação mais rápida do paciente e reduzindo riscos do pós-operatório. Com o novo sistema, a incisão na córnea para a implantação de uma lente no lugar do cristalino é mínima, provocando um corte de apenas 1,8 milímetro. Para se ter uma ideia, na maioria das cirurgias feitas no Brasil, a incisão é de 2,75 milímetros, segundo o cirurgião Leonardo Akaishi, o pioneiro no uso do novo equipamento no Brasil.

Agora, o paciente pode trabalhar já no dia seguinte à operação e praticar esportes três dias depois comenta.

O cirurgião já fez cerca de 200 operações desde quando o equipamento chegou ao Hospital Oftalmológico de Brasília, há cerca de um mês. O sistema possui uma tela de alta definição de 45 centímetros de largura, que facilita o andamento da cirurgia. Ele permite a visualização em tempo real da intervenção, aumentando a eficiência da cirurgia, uma vez que toda a equipe de médicos envolvida na operação pode compartilhar a visão do cirurgião. O novo sistema, denominado Stellaris, foi desenvolvido pela Bausch & Lomb.

Visão borrada

A catarata é o termo usado na medicina para caracterizar alterações no cristalino, uma lente natural existente dentro do olho. Ela tem como função focalizar a luz conduzida da pupila até a retina para formar a imagem. Com o avanço da idade, o cristalino vai ficando opaco. Em média, quando a pessoa chega aos 60 anos, a luz já não chega tão clara à retina e a visão começa a ficar borrada. Nestes casos, a indicação passa a ser a cirurgia para a remoção do cristalino e sua substituição por uma lente artificial.

Este tipo de intervenção cirúrgica vem sendo feito há muitos anos, mas a incisão na córnea para o implante da lente era relativamente grande. De acordo com Leonardo Aikishi, nos anos 80, o corte chegava a medir 10 milímetros.

Era uma cirurgia bem mais complicada para o paciente, que chegava a levar pontos no globo ocular. Além disso, a intervenção acabava provocando astigmatismo e a pessoa tinha que passar a usar óculos. A recuperação era de um mês - diz o médico.

O processo cirúrgico era mais rudimentar. Na verdade, o cirurgião extraía o cristalino, deixando apenas sua cápsula. A lente era implantada sobre ela. A partir dos anos 90, começou a ser adotada a técnica da facoemulsificação, que consiste em triturar o material orgânico através de ultrassom e assim aspirar o cristalino avariado.

Mesmo assim, no começo da década de 90, a incisão chegava a medir 6 milímetros, pois era preciso implantar uma lente rígida de 6 milímetros de diâmetro. Com o advento das lentes dobravéis, o tamanho da incisão caiu para cerca de 3,5 milímetros ainda naquela década diz o cirurgião.

De acordo com Akaishi, atualmente as lentes que substituem o cristalino são mais sofisticadas. Elas são multifocais e permitem corrigir possíveis defeitos de visão.

Agora o paciente já chega com a expectativa não só de resolver a catarata, mas também seu problema de visão diz.

Mais rápida

Segundo ele, a redução no tamanho da incisão se deve também a dois fatores: a ponta de diamante do novo aparelho é menor e os materiais usados nas novas lentes são mais flexíveis. A cirurgia para catarata hoje em dia é bem rápida. O paciente recebe uma anestesia tópica, com colírio, além de sedação aplicada por um anestesista.

A catarata é a maior causa de cegueira evitável e curável do mundo. Pessoas com idade entre 65 e 74 anos anos respondem por 47,1% dos casos, segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia.

Nesta faixa etária se enquadra a contadora aposentada Antônia Veloso de Oliveira, de 68 anos. Ela se submeteu à cirurgia com a nova técnica este mês nos dois olhos, um de cada vez, num intervalo de cerca de uma semana. No dia seguinte à operação, já estava cozinhando, usando apenas óculos protetores.

Fiz uma consulta para trocar de óculos, mas recomendaram a cirurgia. Aproveitei e fiz a correção do grau para enxergar longe.