A importância de dormir bem

Sohaku Bastos, Jornal do Brasil

RIO - Não faz o menor sentido alguém afirmar que dorme pouco para aproveitar mais a vida. É uma grande ilusão imaginar que podemos aproveitar melhor o dia, mediante a subtração de horas do sono.

Dormir é tão fisiológico quanto as demais atividades indispensáveis para a sobrevivência humana, como respirar, comer, todas elas fundamentais para a manutenção da saúde e da vida. O sono é um estado ordinário de consciência, complementar ao da vigília (estado desperto). Durante o sono ocorrem vários processos metabólicos que, se alterados, podem prejudicar o equilíbrio de todo o organismo em curto prazo. Porém a médio ou longo prazo, a insônia promove doenças, piora a qualidade de vida e leva ao envelhecimento precoce.

Pesquisas científicas atestam que quem dorme pouco e mal tem dificuldades no estudo e no trabalho, devido à falta de concentração. Dessa forma, o indivíduo fica mais propenso a diversas enfermidades, como infecções, obesidade, hipertensão arterial e diabetes. A privação do sono pode prejudicar seriamente a saúde, pelo fato de que durante o sono são produzidos hormônios que desempenham papéis fundamentais no funcionamento do organismo humano.

O hormônio do crescimento GH, por exemplo, é liberado durante a primeira fase do sono, aproximadamente meia hora após a pessoa dormir. Outro hormônio importante é a leptina, que tem a função de controlar a sensação de saciedade. O distúrbio do sono também inibe a produção de insulina, hormônio produzido pelo pâncreas, além de elevar a quantidade de cortisol, um hormônio relacionado ao estresse. Estudos em homens adultos que dormiram apenas quatro horas por noite, durante uma semana, levaram estes a apresentar intolerância à glicose, o que significa dizer que quem dorme pouco, segundo esta teoria, pode desenvolver diabetes.

Existem duas formas de sono durante a noite: o sono profundo e o sono paradoxal. O sono profundo ou NREM (non-rapid eye movements) é constituído de quatro fases sem contar o sono paradoxal, também chamado de sono REM (rapid eye movements), devido à existência de movimentos rápidos do globo ocular. Importantes hormônios são liberados em todas as fases do sono, dentre eles a melatonina, que é um dos marcadores de saúde e longevidade humana. Outros hormônios como a prolactina, TSH e LH também são liberados durante o sono. No período do sono REM é que ocorrem os sonhos: as coisas que foram vivenciadas e aprendidas durante o dia são processadas e armazenadas.

Qual é, então, a quantidade ideal de horas de sono? Podemos dizer que o adulto necessita de 7 a 8 horas de sono diárias. Todavia, há pessoas que conseguem dormir menos e, mesmo assim, ter um dia produtivo, sobretudo quanto à atenção, porém são exceções. Em crianças é importante respeitar um período de 9 a 11 horas de sono, dependendo da idade. Quando dormem menos, elas ficam irritadiças, apresentam dificuldades no aprendizado e na concentração.

O sono é um verdadeiro alimento para o corpo e para a mente.

Para dormir melhor, adote as dicas abaixo:

- Coma pouco e frugalmente à noite.

- Não ingira café, chás cafeinados e refrigerantes derivados da cola.

- Evite dormir com a televisão ligada, uma vez que isso impede que se chegue à fase de sono profundo.

- Apague todas as luzes, inclusive a do abajur, do corredor, do banheiro e dos dimers.

- Feche bem as cortinas para não ser acordado pela luz da manhã.

- Não leia livros estimulantes nem de trabalho na cama.

- Retire da cabeceira o telefone celular e os relógios despertadores.

- Tome um banho morno, de preferência na banheira, para ajudar a relaxar, antes de ir dormir.

- Crie uma rotina na hora de dormir. Isso vai ajudar o organismo a induzir o sono.

Seguindo esses passos é possível alcançar um sono realmente reparador.