Museu terá laboratório para restaurar documentos científicos

Agência Brasil

BRASÍLIA - Com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Petrobras, Eletrobrás e Furnas, no valor total de R$ 3 milhões, o Museu de Astronomia e Ciências Afins do Rio de Janeiro (Mast), do Ministério da Ciência e Tecnologia, se prepara para inaugurar até agosto sua nova sede, localizada no bairro de São Cristóvão, na zona norte da cidade. A inauguração marca o Ano Internacional da Astronomia. O novo prédio vai ganhar dois laboratórios. Um deles guardará documentos científicos em papel. O outro será o primeiro laboratório de restauração de instrumentos científicos e históricos do continente latino-americano.

Como se trata de um bairro que abriga vários museus, o diretor do Mast, Alfredo Tolmasquim, busca parcerias com pequenas empresas para criar uma espécie de roteiro turístico da área.

- Nós estamos tentando envolver pequenos empresários locais, no sentido de fortalecer essa idéia e, com isso, revitalizar a região. Não temos conhecimento de nenhum outro (laboratório) na América Latina com essa característica de preservar instrumentos científicos antigos - afirmou o diretor.

Com recursos da Finep, no valor de R$ 2 milhões, o Mast iniciará no segundo semestre deste ano a construção de uma nova biblioteca, cuja inauguração está prevista para o fim de 2010. A unidade abrigará um acervo de cerca de 70 mil volumes da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e será dotada de salas de aula para pós-graduação.

- Eu diria que a grande riqueza dele são periódicos e publicações científicas antigas, algumas do fim do século 19, algumas de academias de ciências que a gente só encontra nessa biblioteca.

A unidade deverá atender a um público especializado, formado por pesquisadores. Alfredo Tolmasquim informou, contudo, que haverá uma sessão voltada para o público em geral, especialmente estudantes, com acesso à internet e obras de referência. Com a reforma e ampliação do Mast, a expectativa é de que a atual média de 50 mil visitantes por ano passe para 150 mil pessoas/ano.

- Nós vamos triplicar a área de exposições para o público.

Alfredo Tolmasquim destaca o crescimento do interesse dos brasileiros pelas ciências. Pesquisa de opinião pública realizada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia mostrou o interesse da população pelo conhecimento científico.

- O que falta na verdade é acesso a esse conhecimento. Uma preocupação que nós precisamos ter é criar mecanismos para as pessoas, em especial os jovens, terem acesso ao conhecimento científico, que hoje é um critério de cidadania.

O diretor do Mast explicou que muitas questões que envolvem a sociedade em geral estão relacionadas à ciência. Citou, como exemplo, os temas da clonagem, energia nuclear, formas alternativas de energia, reciclagem, presentes diariamente na imprensa.

- São questões que afetam diretamente a população. Então, é importante que ela tenha cada vez mais acesso a esse conhecimento. E que ele seja democratizado e não fique restrito à área acadêmica.

Segundo Tolmasquim, as escolas têm mostrado interesse maior em levar seus estudantes para museus e centros de ciências. Ainda neste mês, o Mast estará inaugurando uma exposição sobre o uso da fotografia na pesquisa cientifica, mostrando como expedições antropológicas e etnográficas utilizavam a fotografia como forma de conhecer e registrar o mundo. Em junho, será aberta exposição sobre as estações do ano, explicando, entre outras curiosidades, porque existe verão e inverno, porque os dias são maiores ou mais quentes.