Vacina previne apenas gripe sazonal

Carolina Leal, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Febre, tosse seca, dor de garganta, cefaléia e mal-estar. Com esses sintomas, nenhum paciente ficaria surpreso em receber, do médico, um diagnóstico de influenza. Em outras palavras: gripe, umas das doenças respiratórias que mais acometem a população mundial, muitas vezes confundida com o resfriado, de sintomas mais leves.

Com um alto poder de transmissão e contágio, que pode se dar entre humanos ou entre humanos e animais como aves e suínos, bastou uma nova cepa do vírus causador da gripe aparecer para que muitas dúvidas surgissem a respeito da doença e de como se proteger dela.

A vacina contra gripe, utilizada na vacinação de idosos no Brasil, ainda é a recomendação de prevenção contra a gripe chamada de sazonal, que costuma aumentar principalmente nos meses de abril, maio, junho e julho, no Hemisfério Sul. Essa vacina, no entanto, não é eficaz contra as gripes aviária e a A(H1N1) anteriormente, nomeada como suína.

O vírus da gripe é mutante, ou seja, sofre modificações que levam a vacina a ser constantemente atualizada no caso da gripe sazonal explica Lucia Bricks, gerente médica da empresa Sanofi Pasteur, laboratório fornecedor da vacina contra gripe para o Brasil. No caso da gripe A(H1N1), pouco se sabe sobre o vírus e se requer estudo para o desenvolvimento de uma vacina específica.

Uma nova vacina contra a gripe A(H1N1) pode começar a ser produzida por alguns laboratórios dentro de algumas semanas, já que amostras para desenvolver a vacina devem estar prontas para serem enviadas a laboratórios em meados e fim de maio. Mas poderia levar até 6 meses para ficar pronta, prevê a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O processo de produção requer tempo para uma produção em larga escala com todo o padrão de purificação explica Lucia.

E não são apenas idosos que devem se vacinar contra a gripe sazonal. Crianças e grupos de risco como diabéticos e pessoas com problemas cardíacos também estão mais vulneráveis a infecções. A vacinação é recomendada para aqueles que estão indo em direção aos países acometidos pela epidemia da A(H1N1), por uma questão de precaução: evitar um outro possível surto de gripe sazonal. A vacina leva cerca de 2 semanas para ter seu efeito garantido.

Vale lembrar que a história de que a vacina produz gripe é um mito ressalta Lúcia. A vacina é feita com o vírus influenza morto. Nela vai apenas a parte do vírus que estimula o sistema imune a combater a doença.

Produção

O monitoramento dos novos tipos de gripe, necessário para a atualização da vacina, é feito em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil. Quando novos casos de gripe chegam a hospitais sentinelas, espalhados pelo país, o material contendo o vírus é coletado e encaminhado para análise na Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Aldolfo Lutz e Instituto Evandro Chagas. A atualização é feita anualmente com os três tipos de influenza que mais estão circulando no mundo, por isso, é recomendada a administração anual da vacina.

O monitoramento mundial das mutações do vírus é feito pela OMS. Se é detectada uma nova cepa, ela é enviada aos centros e laboratórios credenciados e servirá de matéria prima para a atualização do vírus.

O Instituto Butantan já trabalha no desenvolvimento de vacinas contra gripe sazonal e aviária, podendo alcançar autosuficiência da produção da sazonal no Brasil até o começo do próximo ano.

A produção pode começar no fim deste ano, de modo que o governo vai obter a vacina a preços muito mais baixos, sem a necessidade de importação do produto afirma Isaías Raw, presidente do Instituto Butantan.

E não é só a vacina a forma de prevenção. Hábitos como lavar as mãos, evitar salas fechadas e cobrir a boca com as mãos antes de espirrar também ajudam. Pessoas infectadas devem evitar circulação.

No Brasil, o número de mortes por gripe