No Canadá, porcos são infectados pela Gripe Suína

JB Online

MONTREAL - A Organização Mundial de Saúde (OMS) pediu ontem que os países ampliem o monitoramento da gripe suína em humanos e animais depois da notícia de que o vírus infectou porcos no Canadá. O cientista de Segurança Alimentar da OMS, Ben Embarek, acredita que se isso já ocorreu uma vez, pode acontecer de novo. Por isso, ele apelou para que os criadores usem roupas de proteção caso haja suspeita de contaminação dos animais.

Este foi o primeiro registro de gripe suína em porcos desde que se iniciou a nova onda de infecção pelo vírus, apesar do nome da doença. De acordo com as autoridades canadenses, os porcos são de uma fazenda no Estado de Alberta e já estão em quarentena. A gripe suína normalmente causa erupções em porcos, mas as autoridades salientaram que o caso não representa um risco à segurança alimentar.

Embarek afirmou ainda não haver recomendações para executar porcos em nenhum lugar no mundo como resultado do vírus, e enfatizou que carne de porco bem cozida e produtos suínos permanecem seguros para consumo.

Não é uma doença originada na comida garantiu o cientista. Temos que tomar as medidas para evitar a exposição desnecessária de humanos a animais doentes.

Mais um

Com um novo caso registrado na Itália, subiu para 898 o número pessoas infectadas pela gripe suína - denominado oficialmente influenza A (H1N1). Segundo a OMS, os casos foram registrados em 18 países. Até o fechamento dessa edição, permanecia em 20 o número de mortos pelo vírus, 19 no México e um bebê mexicano nos Estados Unidos. No Brasil, o Ministério da Saúde informou que subiu para 15 o número de pessoas suspeitas de estarem com o vírus.

Os suspeitos estão isolados em São Paulo (6), Rio de Janeiro (3), Minas Gerais (3), Mato Grosso do Sul (1), Espírito Santo (1) e Distrito Federal (1). Além disso, 44 casos estão sendo monitorados em 17 Estados e 43 foram descartados do monitoramento. Porém, nenhum caso foi confirmado no país.

O número de suspeitos no Brasil aumentou depois que o Ministério da Saúde mudou os critérios de avaliação e passou a considerar passíveis de infecção as pessoas que chegarem ao Brasil vindas de países onde se confirmou a presença do vírus ou que tenham tido contato com infectados. A avaliação para o monitoramento também foi alterada. Agora, passageiros oriundos de qualquer país que apresentarem os sintomas da doença serão monitorados.

População vulnerável

No México, principal foco da gripe suína, já foram confirmadas 506 pessoas infectadas. O aumento do número de casos nos últimos três dias é resultado, de acordo com a OMS, de testes feitos em amostras coletadas anteriormente e não de registro de novos casos. O que reforça a tese do governo mexicano de que a transmissão do vírus está efetivamente se estabilizando.

Depois do México, o país mais atingido pela gripe suína é os Estados Unidos, onde o número de contaminados confirmados saltou de 160, na atualização feita pela OMS ontem, para 226. O Estado de Nova York permanece como o mais afetado pela doença, com 63 infectados. Além de México, EUA e Itália, também possuem casos confirmados de gripe suína Canadá (85), Espanha (40), Reino Unido (15), Alemanha (8), Israel (3), França (2), Áustria (1), China - na região autônoma de Hong Kong - (1), Coreia do Sul (1), Costa Rica (1), Dinamarca (1), Holanda (1), Irlanda (1), Nova Zelândia (1) e Suíça (1).

O jornal espanhol El País informou em reportagem publicada ontem que o sistema de saúde precário e uma população pobre acostumada à automedicação são dois fatores fundamentais para que o surto da gripe suína faça vítimas no México e não em outros países. A OMS constatou que os mortos mexicanos são, em sua maioria, das classes mais pobres. (Com agências)