Cosméticos: médicos acham que consumidores deveriam ser informados

Joana Duarte, Jornal do Brasil

RIO - Em concentrações muito altas, o formaldeído serve para fixar tecidos e é regularmente utilizado na conservação de animais mortos, porque mata bactérias ao preservar a estrutura do animal para estudos. Já o 1,4 dioxano é mais frequentemente utilizado pelas indústrias, como um solvente. Quando presentes em produtos de consumo em níveis permitidos, segundo o coordenador do Centro de Informação Toxicológica de Aracaju, Antonio Medeiros Venâncio, a presença das substâncias precisa ser informada ao usuário.

A presença têm de ser declarada no rótulo. Mesmo sendo gerados por uma reação no processo de fabricação, o fabricante tem de informar ao consumidor a existência dessa substância potencialmente nociva. Está irregular, se não tem informação ao consumidor.

Neste sentido, Antônio Turner, chefe da pediatria do Hospital Balbino, no Rio de Janeiro, concorda, mas considera a pesquisa superficial e indica que ainda devem ser realizados mais estudos sobre o assunto até que os órgãos públicos tomem alguma posição.

As empresas devem informar seus consumidores sobre os riscos com o mau uso e ingestão dos produtos. Entretanto, devemos ter o cuidado de não alarmar a população e criar pânico. A quantidade encontrada nesses produtos é muito pequena e não representa nenhuma ameaça à saúde das crianças.

Turner lembra ainda que os padrões de referência em saúde vêm dos Estados Unidos, que investem em pesquisas um valor maior do que o atual PIB brasileiro. Mesmo as instituições europeias, indica Turner, não possuem o mesmo peso que as americanas.

Segundo o relatório da Campanha Cosméticos Seguros, a União Europeia baniu o 1,4 dioxano dos produtos de higiene, mas o FDA ainda não estabeleceu limites seguros para a substância.

Em entrevista ao JB, Stacey Malkan, co-autora da denúncia, observa que o formaldeído também já foi banido no Suécia e no Japão, e seu uso na União Europeia é extremamente restrito.

A questão crítica é que os produtos não são a única fonte dessas substâncias. Há vestígios delas em uma vasta gama de itens de consumo usados diariamente na pele de bebês, que são suscetíveis à maioria dos agentes tóxicos, porque ainda não possuem muitos anticorpos.

Carlos Eduardo Santos, chefe de dermatologia do Instituto Nacional do Câncer (Inca), ressalta que, embora como conservantes, as substâncias identificadas são de fato cancerígenas, existem há muito tempo e é difícil dizer se quem usá-las vai contrair o câncer hoje, amanhã ou nunca.

Hoje a gente fala que tudo tem que estar no rótulo conclui.