Nova sonda trará nova visão do universo

Jornal do Brasil

LOS ANGELES - Fixe os olhos nas curvas do espelho de Herschel por muito tempo e terá a sensação incômoda de não poder discernir onde sua superfície começa. É encantador, espetacular e com seus 3,5 metros de diâmetro será em breve o maior espelho de um telescópio espacial no mundo, superando até o gigante Hubble.

A Agência Espacial Europeia (ESA) está certamente muito orgulhosa de seu novo observatório espacial. Afinal, são 20 anos discorridos desde que seus astrônomos começaram a desenvolver o Herschel.

Até mesmo o grande astrônomo do século 18, William Herschel, ficaria surpreso com a nova sensação, batizada em sua homenagem.

O espelho de cerâmica é o maior instrumento de carboneto de silício já fabricado no mundo. O material é extremamente duro porém muito mais leve do que vidro e, segundo especialistas, sua performance é excelente.

Ainda esta semana, o observatório espacial Herschle será levado ao Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa, onde astrônomos o fixarão a um foguete Ariane e o colocarão em órbita.

Herschle ficará a uma distância de 1,5 milhão de quilômetros

da Terra, proporcionando assim uma visão nova e fascinante

do universo.

Segundo Göran Pilbratt, um dos cientistas que projetou o Herschel, sua missão é mostrar imagens que ajudem astrônomos a entenderem melhor como estrelas e galáxias se formam e evolvem.

Diferente do Hubble, que está sintonizado para captar imagens do cosmos no mesmo espectro de luz visível para o olho humano, o Herschel poderá identificar radiações de ondas de luz muito mais longas, como a radiação infravermelha.

Isso permitirá que o Herschel identifique objetos além da poeira cósmica que encobre as ondas eletromagnéticas vistas pelo Hubble e avistar lugares gelados do universo desde as nuvens que formam novas estrelas até cometas congelados que existem fora do sistema solar.

Alguns destes objetos são extremamente gelados (até 223 graus negativos) e para o Herschel conseguir identificá-los é necessário que sua superfície esteja ainda mais gelada que o próprio objeto. Isso requer a utilização de um termostato com 2 mil litros de hélio líquido, o criostato, capaz de manter temperaturas muito baixas.

Detectores críticos do Herschle serão resfriados para apenas algumas frações acima do zero absoluto (273 graus negativos), atingindo temperaturas nas quais poderão otimizar sua performance singular.

O Herschle conseguirá investigar uma vasta gama de ondas eletromagnéticas, inclusive uma faixa que até agora não foi detectada por telescópios em órbita.

Herschle também estudará objetos mais próximos de casa, como as montanhosas bolas de gelo, poeira e rochas (algumas delas cometas)

que orbitam o Sol, além de Netu-

no. E observará eventos embrionários que darão aos astrônomos um melhor entendimento sobre o Sistema Solar.

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