Dormir pouco pode aumentar risco de contrair gripes e resfriados

JB Online

PITTSBURGH - Um novo estudo sobre os distúrbios do sono revelou que dormir pouco pode afetar diretamente algumas funções imunológicas e deixar o organismos mais vulnerável a gripes e resfriados. A pesquisa constatou que pessoas que dormem menos de sete horas por noite têm risco três vezes maior de desenvolver doenças respiratórias após terem contraído resfriado do que aqueles com oito horas ou mais de sono.

Durante o estudo, uma equipe de pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon, analisou 153 homens e mulheres saudáveis, com idade média de 37 anos, entre 2000 e 2004. Cada participante foi avaliado diariamente durante um período de duas semanas, de modo a verificar quantas horas dormiam por noite, qual a eficiência de seu sono e se sentiam descansados pela manhã.

Os voluntários foram colocados em quarentena e receberam doses nasais contendo um vírus causador do resfriado comum. Nos cinco dias seguintes, os participantes descreveram sinais e sintomas da doença e tiverem amostras do muco nasal colhidas para análise. Cerca de um mês depois, passaram por uma coleta de sangue para o teste de respostas de anticorpos contra a infecção promovida pelo vírus.

Os participantes que dormiram menos se mostraram mais propensos a desenvolver o resfriado, tendo até cinco vezes mais chances de contrair a doença. No entanto, não se verificou associação da sensação de descanso após o período de sono com resfriados.

Estudos anteriores apontaram, entre outras relações, que a privação de sono afeta determinadas funções imunes e que indivíduos que dormem bem têm menores taxas de problemas cardíacos. Mas havia pouca evidência direta de que a falta de sono poderia estar associada com a menor resistência a contrair gripes e resfriados.

Os pesquisadores destacam que a eficiência do sono mas não a duração mostrou-se associada com sinais e sintomas de doença. Entretanto, não se verificou associação com a infecção. Uma possível explicação dos resultados é que os distúrbios de sono podem influenciar a regulação de citocinas pró-inflamatórias, de histaminas e de outros mediadores de sintomas que são liberados como resposta a infecções.

O artigo Sleep habits and susceptibility to the common cold, de Sheldon Cohen e outros, pode ser lido por assinantes dos Archives of Internal Medicine em www.plosone.org.

As informações são da Agência Fapesp