Rede online 'couchsurfing' pode ser choque cultural para desavisados

REUTERS

CINGAPURA - A idéia pode ser ótima para fazer turismo com o mais baixo orçamento possível, mas alguns asiáticos descobriram que a prática do 'couchsurfing', ou hospedagem na casa de desconhecidos, pode ser uma experiência culturalmente complicada, especialmente na hora de retribuir.

A recente desaceleração econômica estimulou o couchsurfing (www.couchsurfing.com), uma rede mundial online de contatos que permite que os integrantes peçam hospedagem nas casas de colegas da rede e aprendam um pouco sobre as culturas dos locais que visitam, enquanto ensinam aos anfitriões sobre sua cultura.

Mas para alguns asiáticos de famílias tradicionais, a experiência às vezes pode ser desconfortável, e nem sempre é fácil retribuir convidando desconhecidos. Juana Jumat, uma muçulmana de Cingapura, teve um café da manhã sem igual em suas recentes férias na Alemanha.

- Meu anfitrião me serviu o desjejum às 8h30 com cerveja; eu disse a ele que não podia beber, mas sua mãe respondeu que todo mundo precisa beber nos alpes da Baviera - contou Jumat sobre uma recente experiência de 'couchsurfing'.

E quando chegou sua vez de hospedar alguém, ela primeiro precisou convencer sua mãe conservadora sobre as vantagens.

- Minha mãe inicialmente não achava certo que eu hospedasse pessoas que eu nem conhecia, como é que eu podia convidá-las para vir à nossa casa? - contou Jumat, que conseguiu convencer a mãe e já hospedou 50 visitantes, a maioria vindos da Alemanha e da Austrália.

O couchsurfing começou em 1999. Casey Fenton, o norte-americano que criou a idéia, enviou um email spam a mais de 1,5 mil estudantes em busca de um lugar em que ficar depois que comprou uma passagem de avião barata para a Islândia. Depois da viagem, ele decidiu que nunca mais pagaria por hospedagem. Hoje, a organização conta com 835 mil membros.

- Nós acreditamos que o couchsurfing vá se beneficiar do ambiente econômico desfavorável - diz Daniel Hofer, co-fundador da rede.