Imposto da UE pode matar fábricas de chips para TV móvel

REUTERS

PARIS - Os planos da Comissão Européia para introduzir um imposto de 14% sobre os celulares equipados com receptores de televisão podem eliminar esse mercado potencialmente lucrativo antes que ele tenha a chance de decolar, informou um executivo da principal fabricante mundial de chips para TV móvel.

Em 10 de dezembro, a Comissão enviou aos países membros da União Européia uma proposta formal de reclassificar alguns celulares como "aparelhos multifuncionais," o que resultaria em impostos adicionais sobre os celulares equipados com receptores de televisão.

- É uma loucura. Isso poria fim ao mercado - disse Azzedine Boubguira, vice-presidente de marketing da DiBcom, de Paris.

Os fabricantes de celulares e as operadoras de telefonia móvel estão ávidos por explorar o potencialmente lucrativo mercado de transmissões móveis de TV, que a Comissão estima em 7,8 bilhões de euros (US$ 10,9 bilhões) em todo o mundo em 2013.

Para a TV móvel, que até o momento só foi lançada em alguns países devido principalmente ao alto custo dos celulares equipados para recebê-la, um imposto adicional de 14% seria mais um obstáculo.

- Ninguém vai querer comprar. Nós imaginávamos que as pessoas se disporiam a pagar a assinatura, mas agora elas não poderão nem mesmo comprar o aparelho - disse Boubguira em entrevista à Reuters.

Ele disse que o problema também retardará os planos das fabricantes de celulares, que até o momento lançaram apenas alguns modelos capazes de receber transmissões de TV.

- Não haverá demanda, não haverá aparelhos e não haverá mercado - disse.

A Comissão anunciou que havia apresentado a proposta em um esforço para unificar a tributação nos 27 países do bloco comercial, depois que Alemanha e Holanda informaram que adotariam esse tipo de tributo.

As principais fabricantes de celulares européias, Nokia e Sony Ericsson, que juntas respondem por quase metade dos celulares vendidos do no mundo, se opõem vigorosamente ao imposto.