Rio sediará encontro internacional sobre Software Livre

JB Online

RIO - Cidade do conhecimento, sede de grandes empresas do setor público e privado, um dos maiores PIBs do país e vivendo um momento único de grandes investimentos, a cidade do Rio de Janeiro possui todos os atributos para sediar o primeiro evento internacional de software livre, o FreeSoftwareRio 2008. Há cinco anos o Rio já vem promovendo encontros da comunidade de software livre, mas este evento, que ocorre nos dias 8 e 9 de dezembro no Centro de Convenções da Bolsa do Rio, será o primeiro focado em uso de soluções de código aberto para a administração pública.

Especialistas de grandes empresas governamentais e da iniciativa privada vão debater as vantagens em utilizarem softwares livres. Distribuídos em sete painéis, os palestrantes discutirão assuntos como política de incentivo ao software livre e seu uso em serviços de interesse público, para melhorar a gestão dos estados e municípios, na educação e o desenvolvimento cooperado.

Cada vez mais a esfera pública adota plataformas de código aberto na administração por gerar redução de gastos no orçamento e representar a conquista de liberdade tecnológica. No governo estadual não é diferente. O Rio é o primeiro estado do país a criar uma aplicação baseada em software livre para TV Digital. E tudo isso feito de mãos dadas com o meio acadêmico.

Através do middleware Ginga, criado pela Pontifícia Universidade Católica e responsável por agregar interatividade aos programas veiculados na TV Digital, o Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado (PRODERJ) pôde desenvolver um aplicativo para a Secretaria de Estado de Saúde, juntamente com a empresa carioca de software TQDVD. Durante a programação normal na TV, o telespectador poderá acessar os serviços de utilidade pública, como informações de prevenção à Dengue e onde se localizam as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

- Compartilhar soluções em software livre é racionalizar investimentos para agilizar a modernização da gestão e, com isso, oferecer mais e melhor serviços aos cidadãos. O PRODERJ dispõe hoje de 80 Centros de Internet

Comunitária (CICs) em todo o estado, com cerca de 2 milhões de acessos. Se não utilizássemos o software livre, teríamos, talvez, a metade desses tele-centros no Rio de Janeiro - destaca Paulo Coelho, presidente do PRODERJ.

O Rio é um dos maiores centros de inteligência do país. A Uni-Rio, por exemplo, foi a primeira universidade a oferecer curso de graduação em computação com foco em software livre. Além disso, é sede de importantes empresas como a Petrobras, o BNDES, Dataprev, Cobra, entre tantas outras de TI, como a IBM, Unisys e Oracle. Por tudo isso, o Rio quer consolidar a posição de um pólo de desenvolvimento de solução em software livre e, com isso, provar que nosso estado tem capacidade de gerar e exportar domínio tecnológico.

A produtora de filmes Dreamworks é uma das convidadas internacionais. O engenheiro da empresa, Karl Rasche, apresentará sua experiência na adoção de softwares livres na produção de filmes como Shrek, Bee Movie e Kung Fu Panda. Karl é coordenador de software e cores na animação da DreamWorks, especializado no universo da pós-produção e masterização de filmes, incluindo cinema digital, tecnologias de reprodução de imagem e gerência de cores.

Mini-cursos e salas de discussão

Paralela às palestras, haverá quatro salas destinadas a discutir com mais detalhes as plataformas em código aberto. Em uma delas, a comunidade de software livre vai ofercer mini-cursos sobre o uso de programas de linguagem de computador como Python, o Inkscape para a produção de desenhos vetoriais em software livre, aplicações multimídia para TV Digital brasileira e outros.

O PRODERJ ocupará uma sala no primeiro dia do evento para apresentar os diversos projetos e ações do governo estadual como uso de Linux e Voip nos Centro de Internet Comunitária (CICs), a ferramenta ICOX para rede de relacionamento, entre outras soluções. O meio acadêmico também terá uma sala no

segundo dia. Professores e alunos vão discutir as soluções inovadoras criadas pelas universidades como o middleware Ginga para TV Digital e o LUA, uma linguagem de programação para jogos, bastante utilizada no exterior.

O Governo hoje é o maior comprador de TI no país de software proprietário. Por isso, é necessário que gestores de TI no governo promovam encontros como este, para compartilhar soluções inovadores a fim de racionalizar os recursos e realocar os investimentos para a melhoria da qualidade do atendimento e prestação de serviços ao cidadão.