Projeto para extração de cobre do Cetem reduz impacto ambiental

JB Online

BRASÍLIA - O processo de biolixiviação de extração de cobre a partir de concentrado dos sulfetos do metal, desenvolvido pelo Centro de Tecnologia Mineral (Cetem/MCT) em parceria com a empresa americana Geobiotics, LLC, permitirá que a Mineração Caraíba S.A, que financiou o projeto, coloque em funcionamento uma unidade industrial utilizando o experimento em suas instalações, na Bahia.

O projeto é desenvolvido desde o início de 2006. Neste período, o Centro colocou em operação a Unidade Semi-piloto de Biolixiviação dotada de controle computacional projetada pelos pesquisadores do Cetem, a primeira construída no Brasil a utilizar essa tecnologia.

Durante a nova etapa do experimento utilizando uma pilha de demonstração da tecnologia, a mineradora utilizará 2,5 mil toneladas de concentrado de cobre. A operação irá organizar e selecionar dados e informações técnicas para a consolidação da unidade industrial daqui a dois anos. A Caraíba está investindo R$ 3,7 milhões na nova unidade.

A inovadora tecnologia, além de cortar custos, tem como objetivo reduzir sensivelmente as emissões de gases poluentes oriundos da prática pirometalúrgica de transformação desses sulfetos minerais em cobre metálico (cobre blister). O novo processo consiste na lixiviação bacteriana, ou biolixiviação, processo bio-hidrometalúrgico que visa a aportar alternativa ao tradicional método pirometalúrgico.

Além de reduzir os impactos ambientais, provocados pela emissão de gases poluentes, que podem conter metais pesados (como cádmio, arsênio, mercúrio, bismuto e chumbo), a lixiviação bacteriana apresentará custos operacionais cerca de 40% reduzidos e investimentos em torno de 60% menores, se comparados aos processos tradicionais. Dessa forma, pequenos projetos, que hoje estão parados, poderão ser viabilizados com conseqüente redução de importações.

Hoje, 80% do metal primário do mundo são produzidos por meio da pirometalurgia, que produz 16 milhões de toneladas de cobre por ano.

Biolixiviação

A biolixiviação é a dissolução de sulfetos metálicos, nesse caso a calcopirita e a bornita, por meio da ação de microrganismos nativos (endógenos) extraídos do próprio ambiente mineral. Esses microrganismos são amostrados no local, transportados ao laboratório, onde são cultivados e bio-estimulados/potencializados em condições ambientais e nutricionais adequadas.

Ao final, os microrganismos (Bactérias e Archeas naturais e inofensivas ao homem), responsáveis pela geração dos agentes oxidantes, são inoculados no meio reacional, onde se encontra o concentrado de flotação em meio ácido - explica o responsável pelo projeto, Luis Gonzaga Santos Sobral, pesquisador da Coordenação de Processos Metalúrgicos e Ambientais (CPMA) do Cetem.