Colete tornará dispensáveis as freqüentes visitas médicas

Joana Duarte, Jornal do Brasil

BERKELEY - Os pesquisadores Martin Roberts e David Lee, da Universidade de Berkeley, desenvolveram um colete embutido com dispositivo móvel de diálise peritoneal para permitir que pacientes com insuficiência renal façam o tratamento de forma constante, sem interromper a rotina.

Embora o colete ainda esteja em fase de testes, a universidade já assinou contrato com a empresa AWAK Technologies, da Cingapura, para o licenciamento exclusivo da versão comercial, que deverá chegar ao mercado em 2011.

Vamos revolucionar o cenário para o tratamento de pacientes com doenças crônicas renais. Eles terão diálise constante e não precisarão fazer as três visitas semanais aos centros médicos louvou o médico Gordon Ku, da Awak Technologies.

O novo colete, também batizado de Awak (sigla em inglês para rim artificial automatizado portátil ), imita a atividade natural dos rins, responsáveis por remover o lixo metabólico do corpo e regular o volume e a distribuição de fluidos. Através de um cateter, o colete introduz ao peritônio membrana que reveste a cavidade abdominal uma substância reciclável que limpa o sangue constantemente sem precisar extraí-lo primeiro, como acontece na hemodiálise. Desta forma, o sistema reduz a perda de proteínas e evita o risco de coagulação.

Por reciclar e reutilizar o líquido, o colete exige apenas 1 litro da substância, comparado aos 8 litros usados em cada sessão de diálise tradicional.

A constante filtração peritoneal também estabiliza a bioquímica do paciente, evitando súbitas variações causadas quando grandes quantidades de toxinas acumuladas no sangue são retiradas de uma só vez.

A diálise móvel liberta os pacientes em fases terminais de insuficiência renal da escravidão dos atuais regimentos dialíticos , afirmaram Roberts e Lee, em artigo publicado nesta edição da revista Nefrologia Experimental e Clínica.

O colete Awak que representa apenas uma variante do dispositivo entre muitos que estão sendo desenvolvidos pesa cerca de 2 quilos e não causa dor nenhuma, segundo Lee. Também não precisa ser usado sempre. Pode ser desconectado durante atividades nas quais ele se tornaria uma distração ou um fardo.

Para mim, como inventor, a coisa mais importante é a liberdade do paciente definiu Roberts.