Degeneração macular, doença que pode cegar, tem novo tratamento

JB Online

RIO - Trezentas milhões de pessoas no mundo e cinco milhões de brasileiros sofrem de Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), doença que pode resultar em cegueira. A decoradora Aurora Marinho, de 87 anos, é uma das primeiras a usar o novo tratamento: a injeção intravítrea de ranibizumabe (Lucentis), capaz de melhorar a qualidade da visão de quem sofre com a degeneração macular.

Assim que percebeu uma mancha no olho, Aurora procurou imediatamente o oftalmologista, que, após avaliação, sugeriu a aplicação da nova injeção, capaz de melhorar a qualidade da visão de quem sofre com a degeneração macular. O medicamento, que começa a ser usado no Brasil, foi alvo de recente estudo do Grupo de Retina do Rio de Janeiro.

- A mancha me atrapalha na hora de ler e o oftalmologista recomendou a injeção. A aplicação não doeu e continuei fazendo minhas atividades normais. Agora, aguardo nova consulta para saber se ficarei curada - conta Aurora, que foi submetida ao procedimento há uma semana.

A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é uma doença que provoca a disfunção progressiva da mácula (parte da retina, responsável pela visão detalhada e central). O problema costuma ocorrer acima dos 50 anos de idade, está associado a fatores genéticos, sexo, raça, tabagismo, hipertensão arterial e doença cardiovascular.

A detecção precoce da DMRI permite a obtenção de melhores resultados no tratamento e a redução do risco da perda permanente da visão. Para o diagnóstico da doença, são necessários os exames de angiofluoresceinografia e a tomografia de coerência óptica, mais conhecida por sua sigla OCT, mais indicado para acompanhamento do tratamento.

Apresentado durante o Encontro do Grupo de Retina do Rio de Janeiro, de 15 a 17 de agosto, em Itaipava, no Rio, o Lucentis deve ser aplicado de forma intraocular, por oftalmologista especializado em retina, em centro cirúrgico.

De acordo com estudos clínicos, o medicamento demonstrou melhora na visão e na qualidade de vida dos pacientes por bloquear a formação de vasos sangüíneos na região macular, que levam à perda da visão central.

- O tratamento da DMRI com injeções intravítreas representa, atualmente, o padrão ouro de terapia, pois, pela primeira vez, há ganho real de visão nos pacientes que usam o medicamento - explica o oftalmologista Ricardo Japiassu, chefe do setor de Retina e Vítreo da Clínica Cirurgia Ocular Tijuca, membro da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo e do Grupo de Retina do Rio de Janeiro, e um dos organizadores do Encontro do Grupo.