UVA lança edital do Programa de Iniciação Científica

JB Online

RIO - O ensino superior do Brasil tem três desafios principais: atingir um maior número de pessoas, melhorar a qualidade e diversificar as opções de cursos. Essa é a avaliação do presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação do Ministério da Educação, Paulo Barone, que participou de encontro nesta terça-feira, sobre os rumos da pesquisa científica no Brasil, na Universidade Veiga de Almeida. Na ocasião foi lançado o edital deste ano do Programa de Iniciação Científica da instituição, o PIC UVA.

Segundo Barone, no Brasil, menos de 7% da população adulta possui curso superior completo, enquanto na União Européia a meta é aumentar para mais de 80% a formação pós-média. Na opinião dele, o que assegura o lugar do profissional no mercado de trabalho é uma boa formação acadêmica.

- É difícil prever o mundo que nos espera daqui a vinte, trinta anos. Por isso, a receita do sucesso não é tentar entender o que vai acontecer, mas garantir uma formação sólida - afirmou.

Barone apontou ainda que na atualidade há uma percepção diferente do que é a iniciação científica. Se anteriormente, acreditava-se que o programa é importante para formar cientistas, acredita-se que, assim como o estágio, é uma das ferramentas da relação ensino-aprendizagem.

- A iniciação científica prepara o estudante para a vida profissional na medida em que também o treina para o trabalho em equipe, aprendizagem independente e, principalmente, para a solução de problemas reais a partir de uma metodologia - disse Barone.

Para ampliar o número de bolsas concedidas na iniciação científica, Barone sugeriu que as universidades se aproximem das empresas e citou casos em que esta parceria dá certo, onde os estudantes de mestrado e doutorado estudam com bolsas da iniciativa privada, sem que isso afete a liberdade do pesquisador.

De acordo com o reitor da UVA, Mario Veiga de Almeida Júnior, o objetivo da universidade é ampliar este trabalho de aproximação do mercado com a Academia. Entre os projetos desenvolvidos com apoio e participação direta da universidade está a criação do Arranjo Produtivo Local (APL) de São Cristóvão para transformar o bairro Imperial em referência nos setores de Moda e Design.

- Todas as universidades devem ter o compromisso com o desenvolvimento socioeconômico do país. A articulação para criação do APL envolve muitos estudos que contam com a participação direta dos alunos e professores junto a iniciativa privada. O estímulo a profissionais cada vez mais inovadores - afirmou o reitor.

A diretora de Pós-Graduação e Pesquisa da UVA, Beatriz Balena, também aponta necessidade de aproximação da universidade com o mercado como uma das alternativas para o desenvolvimento científico brasileiro. Em países desenvolvidos, a iniciativa privada é responsável por mais da metade dos investimentos em P&D. No Brasil, esse índice é de menos de 10%.

- Há um descompasso no país no qual as empresas e a Academia não se comunicam. É preciso mudar esse paradigma - apontou.