Jornal do Brasil
NOVA YORK - Os casos de dois bebês mortos em 2004 e 2007, em que os médicos esperaram apenas 75 segundos após o fim do batimento cardíaco para remover o coração deles para transplante, levantaram questões éticas sobre a retirada de órgãos. No entanto, os médicos defendem que quanto maior a demora, mais o coração se deteriora, tornando inviável um transplante. A polêmica foi aberta na revista New England Journal of Medicine.
A publicação também detalhou um caso anterior a esses, em que a equipe médica de Denver esperou três minutos após o que parecia ser o último batimento cardíaco para retirar o coração.
Mark Boucek, que liderou a equipe de Denver, e que agora está no Hospital Infantil Joe DiMaggio, na Flórida, disse que quando ocorre a decisão de se deixar o bebê morrer, as máquinas de apoio à vida são removidas e o coração rapidamente começa a se deteriorar, por falta de oxigênio, dificultando um transplante. Como nunca aconteceu de um coração voltar a bater após 60 segundos, a equipe médica esperou apenas 75 segundos.
No caso dos três bebês recém-nascidos, caso fosse esperado mais dois, três ou cinco minutos, ou até mesmo mais 75 segundos, haveria mais complicações defendeu Boucek.
No entanto, a técnica de retirada do coração é controversa porque o tempo de espera recomendado pelo Instituto de Medicina é de cinco minutos, a não ser que a morte cerebral do paciente já esteja constatada. No caso dos três bebês, eles não apresentavam, ainda, a morte cerebral, embora todos estivessem com graves lesões no cérebro.
Com isso, os profissionais estão tentando definir o conceito de morte circulatória para determinar quando o coração bate pela última vez.
Os médicos que realizaram os transplantes defendem: remover rapidamente os corações dos bebês doadores ajudou a salvar a vida de três crianças receptoras.
A cada ano, mais de 50 bebês são colocados na lista de espera de transplante cardíaco, mas morrem enquanto esperam, devido à falta de doadores , alertou o editor executivo da revista Gregory Curfman.