Wi-Fi na praia não dispensa cuidados com notebook

JB Online

RIO - O Rio de Janeiro ganhou seu primeiro espaço público com oferta gratuita de Internet wi-fi. A orla de Copacabana, desde a última quarta-feira, é um hot spot ao ar livre graças a um projeto do Governo do Estado.

Mil e duzentas pessoas poderão acessar simultaneamente a Internet sem pagar nada por isso. Em plenas férias escolares, a notícia vem a calhar para a atual geração conectada. Mas, além dos cuidados com a segurança do equipamento, é preciso ficar atento aos riscos ao notebook.

Umidade, areia e dispositivos eletrônicos nunca foram uma boa combinação, mas algumas medidas ajudam a minimizar seus efeitos e aproveitar ao máximo o clima ameno e a praia sem perder a conexão.

Um dos maiores agressores dos componentes eletrônicos é mesmo a maresia. O nome mais comum do spray marinho se refere a gotículas de água salgada que ficam em suspensão pelo efeito do vento e/ou da vaporização da água. Essa mistura viaja por longos espaços e é mais pesada perto da linha do mar.

Seus efeitos são a corrosão das sensíveis peças internas de laptops. Ligar e desligar o equipamento são as ações mais perigosas e podem até danificar a parte física da máquina. A oxidação pode levar à perda de dados.

O calor é outro inimigo. Desenvolvidos para funcionar em ambientes amenos, os computadores portáteis expostos ao ardente sol carioca podem até mesmo derreter. A bateria, um dos componentes mais frágeis pode explodir se alcançar temperaturas altas demais.

- O laptop é feito para ser portátil, isto é, ser carregado de um lado a outro. Mas as reações químicas de baterias de Lítio não suportam altas temperaturas. Deixá-lo no carro abafado já é um risco, imagina usá-lo, ligado, sob o sol... Pode haver sérios acidentes - explica Michel Pierre, diretor da loja virtual Stopplay, especializada em eletrônicos.

A areia também não sai impune da lista de ameaças.

- Ela pode ser o fim de alguns laptops. Embora os equipamentos eletrônicos tenham cada vez menos componentes mecânicos, eles ainda não foram totalmente eliminados. As teclas, por exemplo, podem travar e só voltar a funcionar após uma completa desmontagem e limpeza profunda limpeza por técnico especializado. Já os HDs, embora mecânicos, são lacrados e dificilmente sofrerão danos por causa dela - informa Eduardo Freire, diretor comercial da NetOfficer, empresa de segurança digital.

O uso do wi-fi gratuito também não dispensa precauções.

- Não há como resistir à tentação de acessar o e-mail ou navegar nos sites preferidos quando se tem por perto um hot spot. Existem redes abertas disfarçadas, próximas a hot spots gratuitos, que servem como isca lançada pelos piratas. Com um bom firewall, os riscos são mínimos e a perda ou roubo de dados é praticamente impossível - completa.

Ele aconselha ainda que os usuários não preencham formulários ou forneçam dados sigilosos se estiver navegando por uma rede gratuita.

- O acesso aos sites bancários é seguro porque a conexão é sempre criptografada, ou seja, possui o S no https (httpss), mas o usuário deve ficar atento ao risco de visitar uma página que seja clone de um site bancário. Visualmente as telas são iguais, mas é importante checar se a URL é a do banco acessado - sugere o especialista.

Navegar em Copacabana pode ser um risco, mas o prazer de aproveitar a Internet sem custo à beira da Princesinha do Mar deve falar mais alto. Não descuidar dos perigos e seguir algumas dicas podem ser o melhor caminho para voltar ileso para casa.

Se vai enfrentar os riscos, fique de olho em algumas dicas:

Em regiões litorâneas, adote capas para seu portátil. Elas reduzem o problema da oxidação e protege da poeira.

Aplique sílica em sachê na capa do computador. A substância atrai quimicamente toda a umidade ao seu redor. É encontrada em casas de material químico.

Evite tocar o computador com as mãos molhadas, principalmente se tiver mergulhado no mar. A água salgada é mais condutiva do que a doce.

Evitar levar os acessórios como bateria, webcam, mouse, etc... Assim só o notebook estará em risco.