Juventude brasileira é religiosa

Joana Duarte, Jornal do Brasil

RIO - Pesquisa revela que apenas 4% se consideram ateus

O Brasil ficou em terceiro lugar em estudo sobre os países com os jovens mais religiosos do mundo, segundo o instituto alemão Bertelsmann Stiftung, que percorreu 21 países e entrevistou 21 mil jovens entre 18 e 29 anos para produzir o mais extenso e detalhado levantamento comparativo sobre a importância da religião nas principais culturas globais.

Os brasileiros em geral têm uma visão encantada da religião herdada dos negros e índios ressaltou o teólogo Leonardo Boff.

Temos uma cultura mística e fluida mais do que religiosa por si. Isso confere um certo encantamento com o mundo. No Brasil, tudo acaba em Deus.

A Indonésia e o Marrocos, países de maioria muçulmana, empataram com o Brasil, que só perdeu para a Nigéria, em primeiro lugar, e a Guatemala, em segundo.

De acordo com a pesquisa, 65% dos jovens brasileiros são profundamente religiosos , embora só um terço dos entrevistados vivam de acordo com preceitos dogmáticos ou achem necessário seguir mandamentos de alguma religião.

Não somos um povo fundamentalista, dogmático e que faz guerra religiosa afirma Boff.

Tradição

O teólogo explica que os brasileiros herdaram dois tipos de cristianismo: o catolicismo devocionista, moderno e muito focado nas festas aos santos e na adoração direcionada às manifestações de Deus, e um catolicismo romanizado , centralizado no papa e repleto de doutrinas e ritos. Segundo Boff, no Brasil, os dois coexistem em harmonia.

Entre os jovens entrevistados no Brasil, apenas 4% afirmam não ter religião, enquanto na escala global, 13% não acreditam em Deus, de acordo com a pesquisa. Boff acredita que a fé está em alta, mas que a tendência é esse número permanecer baixo.

Acredito que a descrença deve ser respeitada, pois a fé é uma opção afirmou o teólogo. Até porque muitas vezes o ateísmo das pessoas é um ateísmo ético. Não é que vale tudo, pode tudo.

Entre os 21 países pesquisados, o estudo indica que quatro entre cinco jovens são religiosos, enquanto quase a metade são profundamente religiosos.

Israel é o único onde os jovens são mais religiosos do que os adultos, de acordo com a pesquisa.

Israel é um Estado novo, feito por judeus que não viviam a religião porque tiveram de escondê-la sugere Boff. Entretanto, para os jovens, a religião se mistura com a identidade nacional e o Velho Testamento é livro fundador.