Congresso na Paraíba debate os desafios da inovação tecnológica

JB Online

JOÃO PESSOA - Debater os desníveis regionais e os desafios que a inovação tecnológica enfrenta no Brasil. É com esse propósito que será realizado no período de 4 a 6 de junho, em Campina Grande, na Paraíba, a 5ª edição do Congresso da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisas Tecnológicas (Abipti) com o tema 'Desníveis Regionais e a Inovação no Brasil: Desafios para as Instituições de Pesquisa Tecnológica'.

O evento reunirá pesquisadores, gestores, técnicos e dirigentes dos setores público e privado atuantes nas entidades e empresas dos sistemas de ciência, tecnologia e inovação de todo o País. A abertura do congresso contará com a participação do ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende.

O desenvolvimento tecnológico e a inovação de um país dependem, em grande parte, da formação de recursos humanos capacitados, bem como de investimentos consistentes, contínuos, de longo prazo. O Brasil e as instituições do setor privado possuem uma cultura de aplicar de forma inconstante e em quantidade insuficiente os recursos públicos no desenvolvimento de ciência e tecnologia. Apesar disso, houve no País um grande avanço científico nos últimos anos.

A iniciativa consistente para construir a competência científica, através do treinamento de pessoal qualificado dentro e fora do País, foi indiferente às oscilações político-econômicas dos últimos 30 anos. É sabido, contudo, que a produção científica não gera como conseqüência imediata à produção tecnológica.

O desenvolvimento científico não gera automaticamente o desenvolvimento tecnológico com inovação. Inovação ocorre na empresa ou com a empresa. Por isso a necessidade de alterar esse cenário, através de ações de políticas públicas bem planejadas.

A aprovação e a regulamentação da Lei de Inovação em 2005, que dispõe sobre incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo, estabeleceram regras para efetivar uma parceria produtiva entre os setores público e privado, beneficiando ambas as partes, com conseqüentes resultados positivos. A aplicação da lei vem proporcionando um avanço na estruturação de políticas públicas que atendam a essas necessidades.

Um outro destaque são os preceitos adotados pela Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, sancionada no ano de 2006. Com a aprovação da lei, o Brasil finalmente reconheceu a prioridade das micro e pequenas empresas (responsáveis por 54,6% dos empregos e 20% do Produto Interno Bruto do País), priorizando o investimento em tecnologia.

As reservas asseguradas pela lei chegam à casa dos 20%, atuando no foco da alavancagem das empresas através da diversificação de mercados e exportação, estimulando o contato entre inovações, pesquisas e o setor produtivo.

No universo dos negócios a questão tecnológica parece ser fundamental para a manutenção do espaço nos novos mercados. Instituição competente no auxílio às micro e pequenas empresas do País, o Sebrae desenvolve no Estado, através da Unidade de Acesso à Inovação e Tecnologia, a articulação entre as instituições científicas e tecnológicas, como as universidades e Cefets e o setor produtivo local, primando por esses avanços.

Em nível nacional, só este ano, foram reservados 10% do orçamento total da Instituição para o desenvolvimento tecnológico dos empreendimentos atendidos. Em 2009, este percentual irá crescer 5%, chegando à parcela dos 15%.

- Na Paraíba, existe preocupação em observar todos os projetos que passam pelo Sebrae no sentido de verificar necessidades e introduzir as tecnologias adequadas. Essas inovações são procuradas através de pactos com as instituições de pesquisa aqui mesmo do Estado. Ações como essas tendem a estimular o estreitamento das relações, resultando dessa parceria contribuições importantes para o desenvolvimento científico e tecnológico - comenta Fernando Ronaldo, gestor da Unidade de Acesso à Inovação e Tecnologia do Sebrae/PB.

Um dos projetos da Instituição, o 'Cocada na Kenga', é um exemplo da utilização da tecnologia em auxílio do desenvolvimento de pequenos negócios, do contato entre pesquisa e mercado e da inserção de políticas de inovação tecnológica. Ano passado, a associação produtora de cocadas procurou auxílio do Sebrae e implantou através da parceria com a UFPB uma máquina de corte, limpeza e raspagem do coco (matéria-prima do produto).

Segundo Mauricéia Barbosa a máquina auxiliou muito no trabalho.

- Foram identificadas exatamente quais eram as nossas necessidades. A universidade trouxe o conhecimento, criou a máquina e hoje com o aumento da produção já pensamos em exportar o produto - disse Mauricéia Barbosa, uma das coordenadoras da associação.