Nível de vitamina em leite materno é analisado pelo Inpa

JB Online

MANAUS - Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) vão analisar os níveis de vitamina no leite materno que é coletado e distribuído pelo Banco de Leite Humano do Estado do Amazonas (BLH AM), às crianças que não conseguem se alimentar diretamente no seio materno. Ao todo, 60 mães participam da pesquisa, que dura dois meses.

Inicialmente, serão coletados o sangue e o leite das doadoras para verificar a quantidade de vitamina A no alimento doado. O próximo passo, segundo a nutricionista e chefe do BLH AM, Tânia Batista, é suplementar as mães doadoras com a farinha de pupunha (fonte de vitamina A) produzida no Inpa.

- Vamos suplementá-las diariamente por dois meses, com 20g de farinha de pupunha. Após 30 e 60 dias faremos nova coleta de sangue e leite para verificar a quantidade de vitamina A absorvida por elas nesses períodos - disse.

De acordo com Tânia, as mulheres analisadas após amamentarem, doam o excesso de leite, que antes de ser distribuído passa por um processo de pasteurização.

- Nesse processo, o leite perde parte dessa substância. Por isso vamos suplementar as mães com uma fonte rica em vitamina A, que é a farinha de pupunha. O objetivo é aumentar os níveis dessa vitamina no leite doado, para que no processo de pasteurização a quantidade perdida desse nutriente seja compensada e chegue às crianças com a concentração adequada de vitamina A - explicou.

Esse alimento geralmente é oferecido aos bebês prematuros ou doentes que estão internados e a vitamina A desempenha papel essencial no desenvolvimento dessas crianças principalmente no processo imunológico.

Para Helyde Albuquerque Marinho, coordenadora da Coordenação de Pesquisas em Ciências da Saúde (CPCS) do Inpa "a vitamina A contribui para crescimento, proteção das membranas mucosas do trato respiratório e visão".

Em países da África existem casos irreversíveis de cegueira por carência dessa vitamina no organismo.

- No Brasil, não temos isso, mas a criança pode ter uma carência subclínica dessa substância, onde não apresenta sinais nem sintomas dessa carência e a constatação só é feita por meio de um exame bioquímico. Outro exemplo e ser citado é a pneumonia, se a criança tiver uma dosagem normal de vitamina A no organismo a recuperação dela será bem mais rápido do que uma criança com deficiência dessa vitamina - disse Helyde.

Ao final do levantamento os resultados das análises serão encaminhados ao Ministério da Saúde. A pesquisa faz parte da dissertação de Tânia Batista, aluna do curso de mestrado em Ciência de Alimentos da Universidade Federal da Amazônia (Ufam). A pesquisa é uma parceria entre a CPCS e o BLH-AM.