Ossos apontam que homem estava na Europa há 1,2 milhão de anos

Ben Harding, REUTERS

MADRI - Os primeiros humanos vagavam pela Europa há 1,2 milhão de anos, bem antes do que se pensava, disseram cientistas na quarta-feira, com base em fósseis achados no norte da Espanha.

Os pesquisadores escavaram uma mandíbula, dentes e ferramentas simples numa caverna perto da cidade de Burgos. O material é 400 mil anos mais antigo do que os restos mais velhos conhecidos até então, achados perto dali há 14 anos, segundo artigo publicado na revista Nature.

Os fósseis estão datados com precisão e desfazem dúvidas sobre quando os primeiros humanos viveram na Europa, segundo Andreu Olle, que trabalha desde 1990 no sítio de Atapuerca.

-São os restos humanos mais antigos na Europa. Com este fóssil, podemos dizer que [a Europa] foi povoada antes do que se pensava-, declarou ele à Reuters.

Os ossos são semelhantes aos encontrados em 1994, com estimados 800 mil anos, o que sugere uma presença humana contínua na Europa Ocidental.

Arqueólogos já haviam encontrado vestígios da presença humana (como ferramentas) com 1 milhão de anos na Europa, mas nunca os restos humanos propriamente ditos.

Os cientistas em geral concordam que os seres humanos modernos surgiram na África e se espalharam há cerca de 50 mil anos, rapidamente estabelecendo culturas da Idade da Pedra na Europa, Ásia e Austrália.

Mas o fóssil da espécie chamada "Homo antecessor" teria compartilhado ancestrais comuns com os humanos modernos, e membros dessa espécie podem ter se misturado aos recém-chegados da África.

Flocos de sílex incrustados em ossos de animais, sugerindo o uso de uma faca rudimentar, estão entre as descobertas feitas em junho passado em Atapuerca.

Essas descobertas reforçam a tese de que os primeiros humanos saíram da África pelo Oriente Médio, e não pelo estreito de Gibraltar, já que a mandíbula é semelhante em formato a uma outra que foi encontrada na Geórgia (Ásia Central) e supostamente tem 1,7 milhão de anos.