Cientistas descobrem método que pode reverter perda de memória

Agência EFE

WASHINGTON - Cientistas canadenses descobriram por acidente um mecanismo que poderia elucidar os mistérios do funcionamento da memória e ajudar no tratamento de algumas doenças, revelou um estudo divulgado nesta terça-feira pela revista 'Annals of Neurology'. A descoberta ocorreu quando os cientistas realizavam uma prospecção cirúrgica no cérebro de um homem de 50 anos em uma tentativa de reduzir seu apetite e neutralizar sua crescente obesidade.

Para isso, utilizaram uma técnica já bem-sucedida de "estimulação cerebral", na qual são inseridos eletrodos e certos setores são estimulados mediante uma pequena carga elétrica. Esta "estimulação cerebral" é aplicada há mais de dez anos para tratar vários transtornos, incluindo a depressão. Mas, em vez de perder o apetite, o homem lembrou com detalhes fatos ocorridos há 30 anos, e os testes posteriores demonstraram que tinha aumentado de forma considerável sua capacidade de aprendizagem.

Segundo os cientistas do Toronto Western Hospital, de Ontário, a técnica já está sendo aplicada no tratamento de pacientes do mal de Alzheimer, uma doença neurológica progressiva e incurável. Segundo Andrés Lozano, professor de neurocirurgia do hospital, esta é a primeira vez que se consegue aumentar o processo da memória de uma pessoa que recebeu eletrodos em seu cérebro.

O médico admitiu que o aumento da capacidade de memória do paciente - que pesava 190 quilos - "pegou totalmente de surpresa" a equipe que participava da operação. Segundo Lozano, esta descoberta acidental pode ter importantes implicações no campo da neurocirurgia. "A descoberta nos proporciona um maior conhecimento sobre as estruturas cerebrais involucradas na memória. Além disso, nos permite aplicá-la - como já fizemos - em casos do mal de Parkinson e no tratamento de transtornos emocionais, como a depressão. E poderia ainda ter um benefício terapêutico em pessoas com problemas de memória", indicou.

Os cientistas assinalaram que o método de 'estimulação cerebral' está sendo usado em testes clínicos com seis pacientes de Alzheimer em Etapa I, e três deles já receberam os eletrodos. Estes eletrodos, considerados um "marcapasso cerebral", fornece um estímulo elétrico de baixo nível e constante, que não pode ser percebido pelo paciente, segundo assinalaram.