Estudo indica que alcoólatras são mais impulsivos

Agência JB

WASHINGTON - Um estudo realizado por pesquisadores americanos comparou a atividade cerebral de viciados em álcool e pessoas sem histórico do vício e sugere que os alcólatras podem ser naturalmente mais impulsivos do que outras pessoas.

Os pesquisadores, da Universidade de North Carolina at Chapel Hill, observaram a atividade cerebral de 19 voluntários - nove alcoólatras em abstinência e 10 não viciados - por meio de um exame de ressonância magnética funcional.

Durante o exame, os cientistas pediram aos voluntários para decidirem se preferiam receber uma quantia menor de dinheiro imediatamente ou esperar para receber um valor maior dentro de um mês.

Os resultados apontam que o grupo dos alcoólatras escolheu receber a quantia menor imediatamente, com três vezes mais freqüência do que os não viciados, o que sugere um comportamento impulsivo.

Enquanto as decisões eram tomadas, a ressonância revelou uma atividade menor nas regiões do cérebro associadas ao ato de tomar decisões, como a região orbital do córtex frontal.

Para Charlotte Boettiger, que liderou o estudo, a descoberta pode apontar para uma "diferença cognitiva" nos viciados e abrir caminho para novos tratamentos para o alcoolismo. "Talvez o cérebro dos viciados não processe as conseqüências de suas decisões a longo prazo", diz a pesquisadora.

Além da atividade cerebral, o estudo publicado na revista científica 'Journal of Neuroscience' descobriu ainda que a ação de um tipo do gene COMT, responsável pela neurotransmissão da dopamina para o cérebro, pode estar relacionada com as decisões impulsivas.

O tipo de gene descoberto pelos cientistas provoca uma redução no nível de dopamina no cérebro. Segundo os cientistas, aumentar o nível de dopamina pode ser um tratamento eficaz para o alcoolismo.

Pacientes de outras doenças, como o mal de Parkinson e o mal de Alzheimer, também apresentam nível baixo de dopamina, e são tratados com medicamentos que impulsionam os níveis da substância no cérebro. Para Boettiger, o estudo é um passo importante para o desenvolvimento de novos tratamentos.

- Ainda temos muito para aprender - afirmou. - Mas as informações oferecem um passo à frente para identificar as categorias dos alcoólatras, o que pode ajudar a fazer tratamentos sob medida e ainda oferecer intervenção para pacientes em riscos de desenvolver o vício.

(Com BBC Brasil)