Cientistas estudam novo método para detectar Mal de Chagas em crianças

Agência EFE

WASHINGTON - Um novo método desenvolvido por cientistas de diferentes países em Arequipa (Peru) poderia facilitar o diagnóstico e o tratamento do Mal de Chagas em regiões pobres, segundo um artigo publicado pela revista eletrônica 'Public Library of Science' (Plos).

O Mal de Chagas, causado pelo parasita Trypanosoma cruzi, infecta cerca de 11 milhões de pessoas na América Latina e mata mais indivíduos que qualquer outra doença parasitária na região. O parasita é transmitido ao homem por insetos portadores do organismo unicelular.

Tradicionalmente, os programas que monitoram a doença se esforçam mais em interromper a transmissão do parasita com medidas de controle de insetos - um dos meios é a aplicação de inseticidas - que em detectar casos ativos e tratar pessoas já infectadas, segundo o artigo.

Embora as ações de controle reduzam o alcance regional e a prevalência dos principais insetos transmissores, 'sem um diagnóstico oportuno das pessoas já infectadas perde-se o período propício para um tratamento eficaz', acrescentou.

"Uma razão importante para a baixa taxa de tratamento é que os serviços de saúde e os programas de controle na América Latina não possuem recursos suficientes para a análise completa de sangue e a supervisão de tratamentos nas áreas mais afetadas', segundo a publicação.

O estudo, liderado por Michael Levy, que agora trabalha no Centro Internacional Fogarty do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, mostra uma estratégia alternativa para detectar a doença que poderia ser mais eficiente, e, portanto, 'mais viável para as regiões pobres infestadas pelo mal'.

Os pesquisadores realizaram uma pesquisa sorológica em crianças de dois a 18 anos de idade numa comunidade próxima a Arequipa, onde a campanha de controle de vetores esbarra atualmente na transmissão do T. cruzi.

A pesquisa mostrou que 5,3% das crianças já estava infectada quando aplicaram inseticidas em suas casas.

Além disso, notaram que as casas com crianças infectadas estavam concentradas em grupos.

Os pesquisadores depois relacionaram suas descobertas com a informação colhida durante a campanha de controle de vetores, e viram que o uso desses dados poderia auxiliar os testes de diagnóstico e teriam identificado mais de 83% das crianças infectadas.

Levy e seus colegas chegaram à conclusão de que a informação colhida facilmente durante uma campanha de aplicação de inseticidas em Arequipa poderia ter sido usada para identificar as crianças com mais riscos de serem contaminadas com o parasita.

O estudo, segundo os autores, é o primeiro que descreve a transmissão de T. cruzi num ambiente urbano e que apresenta provas de que a transmissão pode ser epidêmica em Arequipa.

Em um comentário desse artigo, também publicado na 'Plos', Ricardo Gurtler, da Universidade de Buenos Aires e conhecido internacionalmente por ser uma autoridade no Mal de Chagas, elogiou o trabalho de Levy e de seus colegas.

"Os enfoques inovadores para a detecção de casos ativos requerem um estudo de toda a população de risco', afirmou Gürtler.

"(Esses estudos) são caros e demandam muito trabalho. É neste contexto que o artigo de Levy e de seus colegas tem muita relevância para a tarefa pendente da detecção em massa de casos e do tratamento das crianças infectadas em áreas pobres em recursos', acrescentou.