Lula: igualdade é arma contra degradação do planeta

Agência Brasil

NOVA YORK - Ao discursar na abertura da 62ª Assembléia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que somente será possível reduzir a destruição dos recursos naturais do planeta se a desigualdade entre os países ricos e pobres também for diminuída.

- O mundo, porém, não modificará sua relação irresponsável com a natureza sem modificar a natureza das relações entre o desenvolvimento e a justiça social. Se queremos salvar o patrimônio comum, impõe-se uma nova e mais equilibrada repartição das riquezas, tanto no interior de cada país como na esfera internacional. A equidade social é a melhor arma contra a degradação do planeta - afirmou para líderes de 150 países.

Lula citou o programa Fome Zero um avanço brasileiro na área. Ele destacou que o país conseguiu cumprir, com dez anos de antecedência, a Meta do Milênio, estabelecida pela ONU, de reduzir pela metade a pobreza extrema.

- Honramos o compromisso do programa Fome Zero ao erradicar esse tormento da vida de mais de 45 milhões de pessoas - disse.

- É inviável uma sociedade global marcada pela crescente disparidade de renda. Não haverá paz duradoura sem a progressiva redução das desigualdades - completou, lembrando que, em 2004, foi lançada ação global de combate à fome e pobreza, que permitiu a criação da central internacional de medicamentos. Conforme Lula, a central conseguiu reduzir em até 45% o preço de remédios contra a malária e tuberculose, destinados aos países pobres.

O presidente também citou ações do governo brasileiro para a preservação dos recursos naturais, como a queda do desmatamento na Amazônia e o uso de álcool combustível (etanol), que, segundo ele, evitou o lançamento de 644 milhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera nos últimos 30 anos. Lula voltou a rechaçar as críticas de que o plantio de cana-de-açúcar, matéria-prima do etanol, coloque em risco a produção de alimentos.

- A cana-de-açúcar ocupa apenas 1% de nossas terras agricultáveis, com crescentes índices de produtividade. O problema de fome no planeta não decorre da falta de alimentos, mas da falta de renda. É plenamente possível combinar biocombustíveis, preservação ambiental e produção de alimentos -disse.

Lula aproveitou a assembléia para convidar as lideranças a participarem da conferência internacional sobre os combustíveis alternativos que será realizada em 2008, no Brasil.