Estudo mostra que maternidade reduz oportunidades das mulheres

Agência EFE

QUITO - A maternidade provoca a redução de oportunidades profissionais femininas, afirma um relatório do Fundo de População das Nações Unidas divulgado nesta terça-feira, em Quito, na X Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e o Caribe.

O texto afirma que, apesar de a mulher ter uma participação mais ativa na economia, suas oportunidades "tendem a se complicar quando elas ficam grávidas" ou têm que cuidar de outros integrantes da família, em geral pessoas mais velhas.

Apesar disso, o estudo aponta como um avanço o fato de que nos últimos 14 anos as mulheres se tornaram 45% da população economicamente ativa da região.

Entre 1990 e 2004, 33 milhões de mulheres entraram ao mercado de trabalho na América Latina, diz o relatório apresentado durante o fórum "Co-responsabilidade entre trabalho produtivo e reprodutivo na América Latina e no Caribe".

Segundo o relatório, as mulheres com estabilidade profissional têm entre 35 e 49 anos de idade e filhos maiores ou independentes.

Mas os números não são tão encorajadores para as mães que estão entre os 25 e 34 anos. Muitas se vêem obrigadas a abandonar seus trabalhos para dedicar seu tempo às crianças.

O estudo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) informa também que a maternidade não impede as mulheres de buscar trabalho, o que contradiz algumas teorias tradicionais.

Além disso, os países mais pobres, com economias mais informais e políticas sociais frágeis, são os que têm maior participação feminina na força de trabalho. Mas nesses casos os empregos das mulheres são precários e de baixa remuneração.

É o caso de Guatemala, Bolívia, Paraguai, Nicarágua e Equador, com mais de 50% de mães no mercado de trabalho. O número contrasta com o de países mais desenvolvidos, como a Argentina, Chile e Costa Rica, onde o índice é menor.

O estudo também sustenta que as mulheres pobres que sustentam vários membros de sua família normalmente só conseguem empregos precários, nos quais são mal remuneradas.

Para melhorar as oportunidades trabalhistas femininas, Soledad Murillo, secretária-geral de Políticas de Igualdade da Espanha, defendeu "um pacto social e de gênero", para que o trabalho na casa e a atenção aos filhos sejam partilhados com os homens.

Ela também refletiu sobre o tempo que as mães investem nos cuidados com o lar e disse que é necessário estabelecer "responsabilidades compartilhadas" entre todos os membros da família.

O tempo que as mães dedicam ao lar não permite que elas se dediquem a atividades políticas e sociais, como fazem os outros membros da família, disse Murillo.

Marcela Suazo, diretora para a América Latina e Caribe do UNFPA, disse à agência Efe que "para estabelecer um pacto de co-responsabilidade, é necessário que os homens se incluam no projeto".

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