Cientistas desenvolvem material para telescópio de espelho líquido

Agência EFE

LONDRES - Cientistas do Reino Unido, do Canadá e dos Estados Unidos conseguiram encontrar a mistura de materiais adequada para a fabricação de um telescópio lunar de espelho líquido, aparelho ainda não desenvolvido que permitiria um conhecimento mais completo sobre a origem do universo. A descoberta, divulgada na última edição da revista científica britânica 'Nature', pode ser o ponto de partida para a fabricação deste tipo de instrumento de visão à distância, a ser incluído nos telescópios espaciais de nova geração.

Se a fabricação for concretizada, a ferramenta astronômica seria mais potente que o telescópio espacial James Webb, projeto conjunto das agências espaciais dos EUA, da Europa e do Canadá, e com o qual os cientistas pretendem estudar a formação e a evolução das galáxias.

"Um telescópio lunar de espelho líquido poderia nos mostrar o espectro luminoso das estrelas das primeiras galáxias com um nível de detecção maior que o do telescópio espacial James Webb", afirmam os especialistas no artigo da revista.

Segundo os cientistas, isto permitiria investigar a idade das primeiras estrelas, assim como sua metalicidade, isto é, a abundância relativa de elementos mais pesados que o hélio em sua composição. O fato de os pesquisadores terem conseguido recobrir com prata o líquido iônico do telescópio, e fazer a mistura permanecer estável durante meses é o que alimenta as possibilidades de fabricação deste tipo de instrumento astronômico.

"Os espelhos líquidos têm excelentes propriedades ópticas. Os telescópios de espelho líquido são instrumentos simples, por isso seu transporte e sua montagem serão mais fáceis que os dos espelhos sólidos", dizem os cientistas.

De acordo com os especialistas, o líquido iônico embaixo da prata não evaporaria no vazio e permaneceria em estado líquido até uma temperatura de -98°C. Outro telescópio deste tipo proposto anteriormente, baseado em uma liga de metais líquidos, não era apto para aplicações infravermelhas, que requerem que o líquido seja mantido a uma temperatura superior a -143°C.

"Um telescópio óptico de infravermelhos de entre 20 e 100 metros de abertura localizado na Lua poderia oferecer imagens de objetos até mil vezes menos luminosos que a nova geração de telescópios espaciais proposta", afirmam os especialistas no artigo.