Estudos mostram novas formas de criar célula-tronco embrionária

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WASHINGTON - Pesquisadores tiraram células comuns de um camundongo e as reprogramaram para que elas agissem como células-tronco embrionárias, num experimento que pode representar uma forma alternativa de obter esse tipo de célula-mestra sem ter de eliminar embriões clonados. Três estudos publicados nesta quarta-feira mostram várias maneiras de fazerem células comuns regredirem e se comportarem como uma célula-tronco embrionária. Um quarto estudo mostrou uma forma de usar embriões anormais, descartados por clínicas de reprodução assistida, para produzir células-tronco embrionárias.

Todos os pesquisadores trabalharam com camundongos e disseram que ainda vai demorar para conseguirem demonstrar a técnica em células humanas. As células-tronco embrionárias são a fonte de todos os tecidos e órgãos do corpo. Os cientistas as estão estudando não só para entender a biologia das doenças, mas da própria vida, e pretendem revolucionar a medicina com elas. Mas, por causa da polêmica da destruição dos embriões, há muita gente contra esse tipo de pesquisa, como o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que limitou o uso de recursos federais nos estudos.

Os pesquisadores disseram que não estão tentando só contornar os problemas políticos que cercam a questão.

- Todos nós concordamos plenamente com as pesquisa com células-tronco embrionárias humanas - disse Kevin Eggan, do Instituto de Células-Tronco de Harvard, que comandou um dos estudos.

Em uma das pesquisas, Rudolf Jaenisch, do Instituto Whitehead, em Cambridge, Massachusetts, e seus colegas transformaram células da pele de camundongos em células-tronco embrionárias. Eles identificaram quatro proteínas, ou fatores, que só são ativas nas células-tronco embrionárias, e não nas células adultas.

- Introduzindo esses quatro fatores, as células são induzidas a processos que chamamos de processo de reprogramação - disse Jaenisch numa entrevista por telefone. As células normais, que normalmente só produziriam pele e que morreriam em laboratório depois de certo período, proliferaram-se nas placas de cultivo após ser submetidas ao processo.

Shinya Yamanaka, da Universidade de Kyoto, e sua equipe, os inventores dessa técnica, relataram conclusões parecidas num segundo trabalho. Em outro estudo, Eggan e sua equipe usaram uma técnica diferente para clonar uma célula adulta, usando um óvulo fertilizado em vez de um óvulo não-fertilizado. A técnica do ovo não-fertilizado foi a usada para produzir a ovelha Dolly, por exemplo.

A equipe de Eggan usou embriões anormais de clínicas de reprodução assistida. Alguns dos embriões provenientes da fertilização in vitro são resultantes da fecundação com mais de um espermatozóide, e não podem se desenvolver normalmente. Os pesquisadores retiraram esse material genético e o substituíram pelo DNA de uma célula adulta, o que funcionou exatamente como a transferência nuclear da clonagem tradicional.

Eggan estima que dezenas de milhares de embriões anormais sejam descartados por ano. Ele disse que os dois métodos estão sendo testados usando amostras de pele de pacientes com esclerose lateral amiotrófica, uma doença fatal e incurável.