Anistia acusa Google e Yahoo! de conivência com censura na internet

com a BBC Brasil, Agência JB

BRASÍLIA - A Anistia Internacional advertiu nesta quarta-feira que a internet pode se tornar irreconhecível , a menos que se tome uma ação contra o que chamou de erosão da liberdade online .

Com base no último relatório da Open Net Initiative, um site criado por acadêmicos das universidades de Toronto, Harvard Law School, Cambridge e Oxford, a Anistia Internacional acusa empresas como Google, Microsoft e Yahoo! de serem coniventes com a censura.

O relatório cita o caso da China, que teria se aproveitado da sua posição de mercado em expansão para conseguir o apoio de gigantes da internet para restringir as buscas e navegações de internautas chineses na web.

O estudo detalha que, em janeiro de 2006, o Google concordou em oferecer uma versão censurada de seu mecanismo de busca para obter autorização para operar na China.

Um mês depois, o Yahoo! expressou sua profunda preocupação diante de países que desejam impor censura na internet, mas depois foi revelado que a empresa havia liberado informações para autoridades chinesas, levando à condenação, em 2003, do dissidente Li Zhi a oito anos de prisão.

Dois anos depois o repórter Shi Tão foi condenado a dez anos de prisão. Documentos divulgados pela Justiça chinesa provaram, posteriormente, o envolvimento do Yahoo! nos dois casos.

O alerta da Anistia antecipa os resultados que serão apresentados nesta quarta-fweira em uma conferência organizada pela ONG de defesa dos direitos humanos em Londres, em que vítimas da repressão online poderão expor suas experiências.

Para Tim Hancock, diretor da Anistia, o modelo chinês, que estimula o crescimento econômico, mas proíbe a liberdade de expressão, está crescendo em popularidade entre dezenas de países que bloqueiam sites e prendem blogueiros .

- A menos que tomemos uma atitude agora, a internet pode ser tornar irreconhecível, disse ele.

Ainda segundo a Open Net Initiative, pelo menos 25 países estão usando filtros na internet, como Azerbaijão, Barein, Mianmar, Etiópia, Marrocos e Arábia Saudita. O Brasil não foi citado no relatório.

Os filtros são apenas um dos aspectos da repressão na internet, diz a Anistia. Segundo a ONG, websites e cibercafes estão sendo fechados por motivações políticas .

O blogueiro egípcio Abdul Kareem Nabell Suleiman, de 22 anos, foi condenado a quatro anos de prisão por insultar o Islã e difamar o presidente do Egito.

A conferência da Anistia Internacional contará com celebridades do mundo da internet, como o fundador da Wikipedia, Jimmy Wales.

O evento marca o primeiro aniversário do website irrepressible.info, que está sendo relançado para se tornar um canal de informação para os interessados no futuro da liberdade na internet.