Sexo oral aumenta risco de câncer de garganta, diz estudo

Agência JB

WASHINGTON - Fazer sexo oral aumenta o risco de desenvolver câncer na garganta, de acordo com estudo da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Cientistas acreditam que o papilomavírus humano (HPV) contraído através desse tipo de contato sexual pode causar câncer de garganta, que afeta as amídalas, a língua e a garganta, em homens e mulheres.

O estudo diz que o risco aumenta conforme o número de parceiros. O risco seria nove vezes maior, por exemplo, para pessoas que relataram fazer sexo oral com mais de seis parceiros diferentes.

O estudo, publicado na revista The New England Journal of Medicine, foi realizado com 300 pessoas. Os médicos já sabiam que infecções do vírus HPV são a causa da maioria dos cânceres cervicais. Cerca de 80% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas pelo menos uma vez na vida.

A maioria das infecções desaparece sem maiores conseqüências quando tratadas, mas algumas pessoas contraem variantes mais perigosas do vírus e podem acabar desenvolvendo câncer.

Os pesquisadores encontraram a variante HPV16 uma das que mais causa câncer presente em tumores de 72% dos pacientes analisados. No caso da ligação entre o HPV e o câncer de garganta, o vírus se mostrou um fator de muito maior risco do que, por exemplo, o fumo ou o consumo de álcool.

Segundo os pesquisadores, o sexo oral é a forma mais comum de transmissão do HPV, mas o contágio através do beijo também não pode ser descartado.

- É importante para profissionais da saúde saber que pessoas sem os riscos tradicionais como tabaco e álcool podem mesmo assim desenvolver o câncer orofaríngeo - disse Gypsyamber D'Souza, que coordenou a pesquisa.

Segundo a co-autora do estudo, Maura Gillison, no entanto, "as pessoas deveriam ser asseguradas de que o câncer orofaríngeo é relativamente incomum e a grande maioria das pessoas com uma infecção oral de HPV não desenvolverá o câncer de garganta".

Uma vacina que protege contra as variantes 6, 11, 16 e 18 do HPV já está disponível e os pesquisadores disseram que o resultado do estudo reinforça a necessidade de inocular jovens e adolescentes. Mas ainda não se sabe se a vacina realmente protege contra a infecção oral causada pelo papilomavírus.

- Existem evidências conflitantes sobre o papel do HPV e esse tipo raro de câncer na boca. Como esse foi um estudo pequeno, ainda são necessárias mais pesquisas para confirmar essas observações - diz Julie Sharp, da ONG Cancer Research UK.

- Nós sabemos que, após a idade, as principais causas de câncer de boca são fumar, mastigar tabaco e beber álcool em excesso.

(Com BBC Brasil)