Tomar aspirina é tão perigoso quanto dirigir, diz estudo

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WASHINGTON - Tomar uma aspirina por dia pode ajudar a prevenir enfartes e derrames, mas, para um homem de meia idade, é quase tão perigoso quanto dirigir um carro ou trabalhar como bombeiro, disseram pesquisadores. Embora as pessoas não sejam capazes de avaliar os verdadeiros riscos, elas freqüentemente estão dispostas a correr esses riscos em troca dos benefícios, disseram Joshua Cohen e Peter Neumann, do Centro Médico Tufts-Nova Inglaterra.

Num trabalho publicado na revista Health Affairs, eles afirmaram que os responsáveis pela regulamentação devem levar os verdadeiros riscos em consideração e compará-los aos benefícios. "Em geral, as pessoas tendem a superestimar a probabilidade de riscos pequenos e especialmente temidos, e a subestimar a probabilidade de grandes riscos", escreveram os dois.

Eles calcularam os riscos de várias ações voluntárias, a começar pelas mortes associadas ao uso de medicamentos. Para homens de 50 anos, tomar uma aspirina por dia para prevenir doenças cardíacas e derrame representa um risco de 10,4 mortes por 100 mil homens ao ano. Tomar o Tysabri (natalizumab) para esclerose múltipla eleva o risco de morte para 65 mortes anuais por 100 mil pessoas. O medicamento foi retirado do mercado norte-americano em 2005, depois de três pacientes terem contraído uma doença rara no cérebro, mas o FDA (órgão que regulamenta os remédios nos EUA) o reaprovou já que muitos pacientes dizem que tomariam o remédio mesmo sabendo dos riscos.

Já em relação aos riscos de trabalho, a profissão mais perigosa foi a de lenhador, com 55 mortes por ano ou um risco de 357 mortes por 100 mil pessoas ao ano. Para os bombeiros, o risco é de 10,6 mortes por 100 mil pessoas ao ano. A média de todas as profissões é de 3,9 mortes, e, se forem considerados só os funcionários que trabalham em escritórios, de 0,4. Ser caminhoneiro é mais arriscado que ser bombeiro, com 44,8 mortes por 100 mil pessoas ao ano.

Andar de bicicleta é mais perigoso que esquiar, mostraram os esquiadores. A taxa de morte dos ciclistas é de 2,1 por 100 mil pessoas ao ano, enquanto a de esquiadores é apenas 0,49. Escalar montanhas no Himalaia representa um risco de 13 mil mortes por 100 mil montanhistas ao ano. Em relação aos meios de transporte, os pesquisadores estimaram os riscos tanto em termos de 100 mil pessoas por ano como por 160 milhões de quilômetros percorridos.

Viajar em aviões comerciais representa um risco de 0,03 morte por 160 milhões de quilômetros, ou 0,15 morte por 100 mil pessoas ao ano. Viajar em carros ou caminhões pequenos tem um risco de 0,7 morte por 160 milhões de quilômetro ou 11 mortes por 100 mil pessoas ao ano. Para os motociclistas, o risco é de 450 mortes por 100 mil pessoas ao ano.