Embraer estuda avião militar com capacidade para 19 toneladas

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SÃO PAULO - A Embraer anunciou nesta quinta-feira que estuda desenvolver uma nova aeronave de transporte militar que teria capacidade para transportar até 19 toneladas de carga.

O segmento de Defesa já foi a fonte de receita mais importante da fabricante brasileira, mas veio perdendo espaço desde a privatização da empresa, em 1994, e da aposta na aviação comercial.

- Caso seja efetivamente lançado, o Embraer C-390, como tem sido chamado, será o avião mais pesado já produzido pela empresa... O novo projeto incorporará várias soluções tecnológicas desenvolvidas para o bem-sucedido jato comercial Embraer 190 (com capacidade para 100 passageiros), informou a fabricante brasileira em comunicado.

A empresa não esclareceu, porém, se a novo avião teria como base a plataforma do Embraer 190, o que reduziria de forma significativa os investimentos necessários.

Segundo a Embraer, o C-390 está desenhado para ter ampla cabine e será equipado com rampa traseira para transportar variados tipos de carga, incluindo veículos blindados sobre rodas.

- Nossas análises indicam que existe um mercado potencial para este tipo de aeronave a nível global, especialmente na substituição de modelos antigos, que atingirão o fim de suas vidas úteis na próxima década, disse em nota o vice-presidente da Embraer para o mercado de Defesa e Governo, Luiz Carlos Aguiar.

O portfólio militar da Embraer atende a nichos de mercado como vigilância, reconhecimento, patrulha marítima e alerta, além de treinamento e ataques leves.

O maior revés recente na área militar da Embraer ocorreu no início do ano passado, quando o governo dos Estados Unidos cancelou o programa Aerial Common Sensor (ACS), estimado em até 8 bilhões de dólares, para o desenvolvimento de um avião de vigilância.

A Embraer integrava o consórcio liderado pela Lockheed Martin que havia vencido a licitação.

Com esse contrato dos EUA, a Embraer esperava ter 20 por cento de sua receita total com produtos militares nos próximos anos. A projeção foi revista e agora a fabricante acredita que o segmento responderá por 12 por cento do faturamento em um prazo de cinco anos.