Cientistas britânicos estudaram radiatividade em trabalhadores

Agência EFE

LONDRES - Cientistas contratados pelo Governo britânico estudaram os níveis de plutônio em tecidos extraídos de corpos de trabalhadores da usina nuclear de Sellafield para determinar sua exposição à substância, altamente radioativa.

A informação foi publicada nesta quinta-feira pelo jornal 'The Guardian', segundo o qual os estudos, nos anos 60 e 70, tinham como objetivo verificar se quem trabalhava diretamente nas instalações nucleares estava exposto a doses mais elevadas de radiatividade que a população vizinha.

A análise foi feita pelo National Radiological Protection Board, informa o jornal britânico.

Um documento publicado em 1989 se refere aos dados de exposição ao plutônio verificados nos fígados de quatro ex-trabalhadores de Sellafield, assim como de residentes das áreas vizinhas de Cumbria e Oxfordshire.

O estudo pretendia determinar se os níveis de plutônio detectados nos habitantes dessas partes do país se deviam à proximidade da usina nuclear.

Segundo seus autores, 'os resultados proporcionam fortes provas circunstanciais de que o plutônio da British Nuclear Fuels se infiltrou nos tecidos da população local'.

O Governo britânico anunciou na quarta-feira no Parlamento que vai investigar as acusações sindicais de que órgãos foram extraídos dos corpos dos trabalhadores mortos da central de Sellafield, sem consentimento de seus parentes.

Segundo o deputado conservador Peter Luff, as últimas revelações são 'a última manifestação do otimismo transbordado, da alarmante ingenuidade científica e do excessivo sigilo próprio da Guerra Fria'

que caracterizavam a indústria nuclear britânica.