Cientistas encontram 'ingredientes' na Lua que ajudariam a suportar colônia humana

Chineses avaliaram as amostras do solo lunar trazidas à Terra pela espaçonave Chang'e 5, que preveem poder criar oxigênio e combustível para sustentar vida no corpo celeste

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
Credit...Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

A Lua tem compostos ativos que podem converter dióxido de carbono em oxigênio e combustível, segundo um estudo publicado na revista Joule.

Cientistas da Universidade de Nanking, China, estudaram amostras do solo do único satélite natural da Terra trazidas pela espaçonave Chang'e 5, e encontraram substâncias ricas em ferro e titânio, que poderiam funcionar como um catalisador para fazer produtos como o oxigênio, no caso utilizando a luz solar e o dióxido de carbono, explicou nessa quinta-feira (5) o portal ScienceDaily. O objetivo é aproveitar o solo lunar e a radiação solar, os dois recursos mais abundantes no corpo celeste.

Assim, a equipe de pesquisadores sugeriu que a "fotossíntese extraterrestre", com a qual "o sistema utiliza o solo lunar para eletrólise da água extraída da Lua e na ventilação respiratória dos astronautas em oxigênio e hidrogênio alimentados pela luz solar. O dióxido de carbono exalado pelos habitantes da Lua também é coletado e combinado com o hidrogênio da eletrólise da água durante um processo de hidrogenação catalisado pelo solo lunar". Um resultado é a produção de metano, que poderia ser usado como combustível.

Apenas usando a luz solar, torna-se possível criar uma variedade de produtos, como água, oxigênio e combustível, que poderiam apoiar a vida em uma eventual base lunar, de acordo com os cientistas, que agora pretendem experimentar o sistema no espaço, provavelmente em futuras missões lunares tripuladas da China.

A eficiência catalítica do solo lunar ainda é menor que a dos catalisadores disponíveis na Terra, explicou Yingfang Yao, mas apontou que a equipe está testando diferentes abordagens para melhorar o projeto, como a fusão do solo lunar em um material nanoestruturado de alta centralidade, que é um catalisador melhor.

"Em um futuro próximo, veremos a indústria dos voos espaciais tripulados se desenvolver rapidamente. Assim como na Era da Vela do século XVII, quando centenas de navios zarparam, entraremos na Era Espacial, mas se quisermos realizar uma exploração em larga escala do mundo extraterrestre, teremos que pensar em maneiras de reduzir a carga útil, ou seja, depender do menor número possível de suprimentos da Terra e utilizar recursos extraterrestres", concluiu Yao.

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