Portela vai à Bahia para reencontrar suas origens

"Eu tenho certeza que esse carnaval vai marcar o ressurgimento da Portela". Com essas palavras, o carnavalesco Paulo Menezes sintetizou perfeitamente o espírito de cada trabalhador do barracão da escola mais vitoriosa do carnaval carioca.

Em um incômodo jejum de títulos, que está prestes a completar 30 anos, a escola de Madureira deixou a condição de favorita para amargar anos de ostracismo, convivendo com problemas durante os desfiles e até mesmo o risco de rebaixamento para o Grupo de Acesso, algo impensável em outros tempos. 

Para voltar a exibir a grandeza de outrora, a escola apostou em um tema que conhece bem: a Bahia, presente, dentre outros, no seu último campeonato, com "Contos de Areia". O enredo deste ano, que versa sobre as festas do povo baiano, tem várias afinidades com o seu antecessor, como o próprio Menezes admite. Segundo ele, essa é a melhor forma de retomar a tradição vitoriosa da agremiação:

"Uma vez vi uma baiana tocando a águia e se benzendo antes de um desfile da Portela. Isso me marcou muito.Isso é Portela: é tradição, é história. Mas vamos mostrar que é uma história viva. Temos Tia Surica, Paulinho da Viola, uma Velha Guarda maravilhosa", pontua o artista.

De acordo com o carnavalesco, este carnaval foi pensado justamente para marcar esse reencontro da escola com suas origens e tradições. Menezes classifica todo o resultado do trabalho de barracão como "um presente para o portelense". 

A Portela teve ainda uma dificuldade adicional, já que foi afetada pelo grande incêndio que destruiu barracões da Cidade do Samba antes do carnaval de 2011:

"Estamos batalhando. Voltamos para o barracão apenas no dia 9 de dezembro, antes estávamos trabalhando em uma tenda improvisada. Aqui dentro a estrutura é de outro nível. Estávamos trabalhando em um carnaval grandioso, nossos carros alegóricos são bem grandes, então muita coisa só foi começar a ser feita aqui", explica Alex Fab, diretor de carnaval da escola.

"Portela tem chance de brigar forte pelo título", afirma Menezes

Avaliando o trabalho realizado pela escola até aqui, Paulo Menezes não consegue esconder o otimismo. Credenciado por ótimos trabalhos à frente da Porto da Pedra, o carnavalesco tem objetivos ousados para este desfile:

"Desfile é uma coisa que só acontece na avenida. Carnaval é feito de riscos, mas o projeto da Portela tem chance de brigar forte por título", confia.

O carnavalesco afirma que não faz o desfile pensando em resultado, mas que, por tudo que a Azul e Branco preparou, espera voltar à Sapucaí no Sábado das Campeãs.

"O portelense vai encontrar um carnaval muito feliz na avenida. Temos um samba que captou perfeitamente a aura do enredo sem se prender à sinopse. Esse ano será um divisor de águas para a Portela. Quero voltar no Sábado das Campeãs".

Coincidências animam a comunidade

Outro ponto que aguça o otimismo dos portelenses são as inúmeras coincidências deste carnaval com o de 1984. Em ambos a escola falou sobre a Bahia, teve Clara Nunes como figura central no enredo e marcou a inauguração do Sambódramo, que será reinalgurado após uma grande reforma neste ano.

"É uma coisa cabalística. Quem é supersticioso tem tudo para se animar ainda mais. Esse ano promete", garante o coreógrafo Marcio Moura.