Venda de abadás por cambistas rende até R$ 4 mil em Carnaval

 

A venda de abadás por cambistas, nas imediações do shopping Barra, próximo ao circuito Barra/Ondina, em Salvador (BA), rende até R$ 4 mil durante o Carnaval. Os mais caros são os que dão acesso aos camarotes, com direito bebidas e outras regalias incluída, e cujo preço não sai por menos de R$ 500. Os mais simples que dão direto apenas aos blocos variam entre R$ 180 e R$ 350, e de acordo com a proximidade do show, o preço sobe.

O funcionário público Jorge (nome fictício) diz que investe no negócio da venda de abadás para complementar a renda. "Tem que cobrir o prejuízo do Natal e pagar pelo material escolar das crianças", afirma o cambista, que chegou vender um passe para o camarote do Chiclete com Banana por R$ 1,9 mil.

Nesta quinta-feira, o abada do Nana Banana, com a Timbalada, era vendido por R$ 350, o da Cerveja e Cia era comercializado a R$ 200, no entanto, segundo Jorge, o mais procurado era o do Cocobambu, com Asa de Águia, que saia por R$ 180.

O promotor de vendas Eduardo França afirma que investiu R$ 1.350 do seguro desemprego na venda de abadás. Com mais dois abadas, que ele venderia por R$ 500, ele esperava recuperar o investimento com lucro de R$ 1.850. "Se deixar o dinheiro no banco, vai embora".

No entanto, o local também é freqüentado por pessoas que ganharam abadás, mas não tem interesse em se juntar à folia em Salvador. "A cidade vira um caos", dizia a funcionária pública Lívia Carvalho, 30 anos, sobre o motivo que a levou a vender abadá do Nana Banana, que a mãe ganhou ao comprar um carro, por R$ 350.

As turistas de Teresina, no Piauí, Estefânia Rafaeli, 24 anos, e Nara Lívia, 23 anos, procuravam abadás, mas reclamavam do preço. "Na internet está esgotado. Eles (os cambistas) compram tudo e depois vendem pelo dobro do preço", reclamava, Estefânia.

Já os cariocas Luis Alberto Pires, 16 anos, e Henrique Jeferson Arruda, 19 anos, já tinham comprado passes para quase todos os dias. "Só estamos procurando um camarote para a segunda-feira, para relaxar", dizia Pires. Eles afirmavam que estavam com o orçamento apertado, mas estavam dispostos a pagar até R$ 1,5 mil para curtir todos os dias do Carnaval baiano.