Grande Rio e União da Ilha correm contra o tempo para renascer das cinzas

Depois do maior incêndio da história do carnaval atingir os barracões da Portela, União da Ilha, Grande Rio e Liesa no último dia 6, os carnavalescos Cahê Rodrigues, da Grande Rio, e Alex de Souza, da União da Ilha, contaram ao Jornal do Brasil Online como tem sido correr contra o tempo para conseguir construir um novo carnaval, faltando menos de uma semana para o desfile oficial do Grupo Especial.

Enquanto a União da Ilha do Governador teve o quarto andar de seu barracão na Cidade do Samba atingido e perdeu 2.400 fantasias, a Grande Rio teve seus quatro andares engolidos pelo fogaréu. Dos sete carros alegóricos e três tripés, não sobrou nenhum para contar história. No dia 8 de fevereiro, um dia depois do incêndio, Cahê Rodrigues se reuniu com dois integrantes de sua equipe de criação e teve que montar um novo carnaval - mais simples e barato - em apenas três horas. Com Alex de Souza não foi diferente.  

"Isso o que está aqui não era o meu carnaval. Depois do incêndio tive que desenhar um novo carnaval, diferente de tudo que havia planejado anteriormente. Perdemos praticamente tudo o que construimos ao longo de quase um ano", lamenta Alex de Souza, carnavalesco estreante da União da Ilha, que esteve à frente da Vila isabel nos últimos três carnavais. " Para ele, a pior perda foi a da fantasia da comissão de frente. "gastamos R4 40 mil só nas fantasias do grupo da comissão de frente. A tecnologia da roupa era japonesa", conta.

O abre alas da Grande Rio, que este ano contará a história de Florianópolis, levará uma grande bruxa com um caldeirão. O carro é uma referência ao apelido de Ilha das Bruxas da cidade.

"O meu xodó era o abre alas que foi queimado. Este aqui é um carro bem grande, vai ficar muito bonito na Sapucaí, mas não tem metade da beleza e do luxo do anterior. Vamos fazer o melhor possível com o pouco dinheiro e tempo que nos restaram", lembra Cahê.

Se para Cahê seu abre alas era o carro preferido, Alex aposta suas fichas numa aranha de nove metros de altura - abrigada numa tenda improvisada fora da Cidade do Samba - um de seus principais carros alegóricos para ajudar a contar a históriada viagem de Charles Darwin à América do Sul. A viagem ajudou o naturalista britânico a elaborar a Teoria da Evolução.

"O nosso desfile é uma metáfora e vai mostrar que o homem é só mais um animal no meio dos outros. Entre os animais e as plantas, o elemento humano é só mais um", decreta Alex de Souza.

Sobre como será o empenho da escola na segunda-feira de Carnaval na Sapucaí depois de ser abalada pelo incêndio, Alex é categórico: "Fizemos um ensaio técnico no primeiro fim de semana depois do incêndio e não vi a escola desanimada. Pelo contrário, estou certo de que nossos integrantes transformarão o problema num motivo a mais para fazer um bom desfile".