"Querem me tirar do ar", diz Geddel sobre petistas da Bahia

Davi Lemos, Portal Terra

SALVADOR - O candidato ao governo da Bahia Geddel Vieira Lima (PMDB) aponta a mudança de interpretação que os juízes do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA) tiveram sobre as peças de propaganda dos candidatos a deputado federal e estadual, nas quais eram feitas críticas gerais ao atual governo petista, como indício de estratégia para tirá-lo do ar.

Segundo o peemedebista, o Tribunal entendeu que as críticas feitas nos horários de candidaturas proporcionais o beneficiariam, embora, anteriormente, em decisões liminares, os juízes tivessem manifestado a licitude das peças. No Twitter, Geddel criticou a falta de critério do Tribunal para votar a respeito do tema.

Questionado se temia por influência política sobre as decisões do Tribunal como as verificadas no auge do carlismo, Geddel respondeu: "receio que sim. Estou preocupado com isso. É repetição de um filme que eu já vi. Querem me tirar do ar". O peemedebista já havia colocado o mesmo, no início da tarde desta quinta-feira (16), em sua página no Twitter.

No período de domínio quase completo do carlismo na Bahia, algumas decisões do TRE foram alvo de muitas dúvidas, como a até hoje controversa contagem de votos nas eleições de 1994, que deu vitória de Waldeck Ornellas, então no PFL, sobre Waldir Pires, que disputavam o Senado - a outra vaga ficou com o ex-senador Antonio Carlos Magalhães.

Perdas

O PMDB já perdeu 19 minutos de propaganda na TV, rádio e inserções durante a programação, e o advogado da coligação de Geddel Vieira Lima, Manoel Nunes, disse que o candidato perderá todo o tempo de exposição no horário eleitoral, caso o TRE mantenha a mesma interpretação sobre as peças das chapas proporcionais.

O advogado disse que, em decisões liminares, os vários processos que apontavam "invasão" de Geddel no horário dos candidatos proporcionais foram dados como improcedentes. "Baseados nestas interpretações, mantivemos as peças, já que nos sentimos autorizados pelo tribunal. Agora, no julgamento do mérito, eles mudam o entendimento, sem apresentar justificativa plausível", disse o advogado, segundo quem algumas das mudanças de interpretação ocorreram através de decisão de um mesmo juiz.

Geddel afirmou que vê "com estranheza" as decisões do TRE-BA, uma vez que elas apenas o prejudicariam. "Não há esse entendimento com as outras candidaturas. Eles tomaram uma decisão e depois inverteram o entendimento. E eu não estava aparecendo no horário dos deputados", reclamou o peemedebista.

Segundo o advogado Manoel Nunes, umas das justificativas para o favorecimento de Geddel seria a crítica realizada, através de números e locução, a setores como segurança pública e propaganda. "Eles entendem que há temas que não podem ser abordados pelos candidatos das proporcionais. Isso não é previsto na legislação eleitoral", apontou o advogado.

O Terra entrou em contato com a assessoria de imprensa do TRE-BA, mas o Tribunal não se pronunciou sobre o caso.