Servidora diz que Receita pediu para "legitimar" acessos ilegais

Tiago Dias, Portal Terra

SÃO PAULO - A Polícia Civil do Estado São Paulo investiga o envolvimento da funcionária da SERPRO da Receita Federal de Mauá, Ana Maria Rodrigues Caroto Cano, na quebra de sigilo da filha do presidenciável José Serra, Verônica. Em depoimento nesta sexta (10), a servidora confirmou que acessou os dados fiscais de 23 pessoas e que funcionários da Corregedoria da Receita Federal a orientaram para "legitimar" os acessos ilegais. Após a divulgação da quebra de sigilo de Verônica, Ana diz ter sido aconselhada por funcionários da Corregedoria da Receita a conseguir as assinaturas e, assim, justificar os acessos.

Ana Maria prestou depoimento nesta sexta (10) e confirmou os acessos que, segundo ela, foram solicitadas verbalmente pelas 23 pessoas. Segundo a Polícia, apenas uma dessas pessoas não consta na lista de CPFs que tiveram o sigilo quebrado divulgada pela revista Veja, em 9 de setembro. Ainda segundo a reportagem, foi por meio do computador da funcionária que os dados da filha de Serra e de seu genro, Alexandre Bourgeois, foram acessados.

A Polícia chegou à funcionária por meio da denúncia de Edson Pedro dos Santos. O aposentado, morador de Mauá, recebeu a ligação do contador José Carlos Cano Larios, casado com Ana Maria, solicitando assinatura para checar alguns dados na Receita. Ele achou estranho o pedido e acionou a Polícia, que o acompanhou em um encontro com o contador.

Em visita ao escritório de contabilidade de Larios, também em Mauá, foram apreendidas as declarações de imposto de renda das 23 pessoas. O contador afirmou que a abordagem visava justificar os acessos indevidos realizados por Ana Maria.

A Polícia Civil quer saber se o casal tem ligação com o crime de falsidade ideológica no caso de Verônica e se já haviam conseguido a assinatura de alguma pessoa. Os BOs serão enviados à PF que abrirá nova investigação se detectar algum crime federal.