Brasileiros ficam detidos 2 horas acusados de espionar portugueses

Natália da Luz, especial, JB Online

JOHANESBURGO - Uma breve parada para gravar a estrada de Johanesburgo gerou um constrangimento indescritível para uma equipe de jornalistas brasileiros que saía do treino da seleção de Portugal, antes do jogo de hoje. Na última quarta-feira, jornalistas da TV Brasil deixavam Magaliesburg (a cerca de 100 km de Joanesburgo), quando foram cercados por aproximadamente 10 carros da polícia sul-africana. O repórter cinematográfico Gilvan Alves mal havia posicionado a câmera no tripé quando foi surpreendido pelas viaturas e policiais que acusaram a equipe de espiões da seleção brasileira?! Estávamos a mais de dois quilômetros do local do treino fazendo imagens da estrada com o único objetivo de mostrar o quanto a seleção estava isolada e treinando concentrada , disse ao JB Online a produtora Ana Graziela Aguiar.

Mas as justificativas da jornalista brasileira de nada adiantaram. Os policiais estavam irredutíveis, insistindo na idéia de que os profissionais uniformizados (com a logo da TV pública brasileira) eram espiões pagos para expor as estratégias portuguesas ao técnico da Seleção Brasileira. Diante da dificuldade e das inúmeras tentativas de provar que os jornalistas não eram espiões, Ana Graziela, Gilvan Alves, o repórter Rogério Bastos e até o motorista sul-africano chegaram a pensar que passariam a noite na cadeia... Tudo o que falávamos era mentira. Por mais que provássemos, eles não se convenciam , contou a brasileira.

Após a abordagem (na estrada) no final de um dia inteiro de trabalho, a equipe foi obrigada a dar meia volta rumo ao local do treino ouvindo dos policiais que o material seria confiscado. A equipe perdeu quase duas horas literalmente detida pelos policiais sul-africanos que ordenaram que os brasileiros aguardassem a chegada do capitão. Queríamos mostrar as imagens, mas eles nem quiseram ver. Continuaram insistindo na teoria e pediram que expuséssemos nossas câmeras escondidas . O carro da equipe foi revistado pelos policiais em busca de câmeras escondidas, obviamente não encontradas.

Escoltados por muitas viaturas até o chefe da segurança da seleção de Portugal, assessores de imprensa e um representante da polícia local, os brasileiros foram obrigados a retornar ao campo de treino (aberto para a imprensa durante os primeiros 15 minutos). Após uma minuciosa avaliação de todo o material gravado (realizada no centro de imprensa ao lado do campo), os jornalistas brasileiros foram, finalmente, liberados.