Coreia do Norte envia operários para torcer na Copa

Agência AFP

SEUL - O pequeno número de torcedores norte-coreanos presentes na Copa do Mundo da África do Sul é composto por operários do país asiático presentes em projetos de construção no continente, divulgou a imprensa sul-coreana nesta quinta-feira.

O Daily NK, um jornal on-line de Seul feito por desertores do regime de Pyonyang, divulgou que os 50 torcedores norte-coreanos que empurraram sua seleção na derrota de terça-feira para o Brasil (2-1) eram operários que estavam no continente.

Esta versão que explica a presença de torcedores norte-coreanos contradiz a versão inicial divulgada sobre os torcedores do país comunista, pois havia sido informado que o grupo de 300 cidadãos presentes na África do Sul tinha viajado de Pyonyang para o país-sede do Mundial.

O Daily NK informou que os norte-coreanos mobilizados na África do Sul são operários que trabalham em projetos de construção do Instituto Artístico Mansuade, responsável pela confecção de estátuas, além de realizarem outros trabalhos em Namíbia, Angola e outros países do continente negro.

A instituição construiu recentemente um monumento de 50 metros de altura, avaliado em 27 milhões de dólares (21,8 milhões de euros), chamado "Renascimento Africano", inaugurado em abril em Dacar.

O Daily NK citou fontes em sua informação procedentes da China, segundo as quais "a Coreia do Norte planejou enviar uma grande quantidade de torcedores de Pyonyang", mas cancelou a viagem "por problemas de custos e dificuldades para controlá-los" na África.

Pyonyang tenta vender 65 ingressos livres, reservados para seu país pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) em cada uma de suas partidas, através de suas representações no exterior porque não quis comprá-las, segundo essas fontes.

A Coreia do Norte atravessa graves dificuldades econômicas que cresceram recentemente após o seu segundo teste nuclear em maio, que desencadeou sanções mais duras contra o país asiático.