De políticos a anônimos, torcedores vibram e sofrem

Lira Fraga , Jornal do Brasil

RIO E BRASÍLIA - A Rua Alzira Brandão, mais conhecida como Alzirão, na Tijuca (Zona Norte) recebeu cerca de 30 mil torcedores para assistir à estréia do Brasil na Copa. Apesar do placar apertado contra a Coréia do Norte, a animação era grande e aumentou ainda mais com a bateria da Unidos da Tijuca, campeã do Carnaval 2010 e os shows de funk.

A energia aqui vai ajudar o Brasil a trazer a taça vibrava a funcionária pública Adilma da Rocha, que ajuda a decorar a rua todos os anos.

Para o jogador do Flamengo Vagner Love, que foi ao Alzirão com seu irmão e amigos, o importante foi começar ganhando.

De acordo com o administrador regional da subprefeitura da Zona Norte, Nelson Aguiar, não houve ocorrência grave. O esquema de segurança contou com 250 policiais militares, 80 guardas municipais, 60 agentes do choque de ordem e 30 policiais civis.

Detidos

Na cidade foram detidas 33 pessoas por urinar nas ruas 20 em Copacabana e 13 na Tijuca.

Ávidos para assistir à estréia da seleção brasileira, dezenas de torcedores que aguardavam para entrar na arena do Fifa Fan Fest Rio, na Praia de Copacabana, promoveram um princípio de tumulto momentos antes do início da partida. Em buscas do melhor lugar para ver o jogo no telão de 120 metros quadrados, os torcedores forçaram a entrada, emperrando os portões. De acordo com a assessoria da Riotur, o problema foi rapidamente cortornado pelos seguranças e ninguém se feriu.

A arena ficou lotada, com quase 20 mil pessoas, capacidade do espaço, que vai da Avenida Princesa Isabel à Rua Duvivier.

Não fiquei satisfeito. A gente não pode tomar gol, é uma Copa muito equilibrada brincou o carioca Marcelo Nuba, fantasiado de anjo da guarda da seleção.

No Leblon, uma multidão se aglomerou no Bar Cliper, na esquina das ruas Ataulpho de Paiva e Carlos Gois. A PM teve de usar spray de pimenta para dispersar os torcedores mais exaltados, que tentavam impedir o fluxo do trânsito.

Lula acha o time travado , e candidatos param campanha

Assim como grande parte dos brasileiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou terça-feira, pela TV, o jogo da Seleção. A estreia foi modesta, segundo ele. Ministros que também assistiram o jogo no Palácio da Alvorada disseram que o líder da nação canarinha considerou que o time poderia ter jogado melhor, apesar de reconhecer que o nervosismo da estreia possa ter afetado os jogadores.

O presidente achou que o time estava meio travado. Depois se soltou. disse Paulo Bernardo, ministro do Planejamento.

Quem quer ocupar a vaga de Lula em 2011 também não desgrudou da TV. Os três principais candidatos à Presidência, Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PV) e José Serra (PSDB) acompanharam a Seleção Brasil, cada um ao seu modo.

Comentários

Dilma já estava em Paris, onde se encontra quarta-feira com o presidente francês, Nicolas Sarkozy. Ela assistiu o jogo no bar Cabaret Sauvage, com brasileiros que moram na França. Depois da partida, ela comentou pelo twitter:

O gol do Maicon e o passe do Robinho para o gol do Elano foram os melhores lances do jogo .

Serra foi ao restaurante Plataforma, na Zona Sul do Rio, acompanhado pela tucana e presidente do Flamengo, Patrícia Amorim. O candidato chegou em cima da hora, e ganhou de presente uma camisa azul e amarela, do time da Gávea, com o número 45 nas costas, o mesmo que representa Serra nas eleições.

Eu pensei em dizer que seria 2 a 1 para o Brasil, mas iriam falar que sou pessimista Ponderou Serra.

Marina preferiu um hotel em São Paulo. Resfriada, ela queria se preservar, pois enfrenta, quarta-feira, uma sabatina na capital. Mas depois do segundo gol, a candidata não resistiu e disparou, via twitter:

Seu Paulo, Fabio, Moara e Mayara, Dona Neide: a Vila Belmiro faz a diferença com Robinho e Elano .

Na Vila Mimosa, jejum de gols faz retomar o trabalho

Fernanda Prates

Reza a lenda que o Brasil para em dia de jogo da Seleção na Copa. Porém, pelo menos na Vila Mimosa, tradicional ponto de prostituição do Rio, jogo do Brasil não significa fim do expediente. Pelo contrário: em casos como a insossa vitória por 2 a 1 sobre a Coreia do Norte, o ritmo do jogo pode até estimular o trabalho. Tanto foi que, após o primeiro tempo sem gols da estreia, os espectadores reunidos em torno do telão montado no Villa's Bar começaram a largar seus espetinhos de carne e latinhas de cerveja e se dispersar pela vila, ornada com bandeirinhas e cartazes com as cores da seleção. Arrumadas a caráter, com suas (pequenas) roupas verdes e amarelas, as garotas se dividiam entre o trabalho e a inusitada comemoração.

Gostei muito da decoração e da festa, achei tudo muito bonito. Estou torcendo, com certeza comentou uma das garotas. Mas os jogos do Brasil não mudam em nada nossa rotina. Trabalhamos normalmente.

Jô, que mantém duas casas na Vila, não gostou do jogo, mas crê que uma eliminação do Brasil pode ser boa para os negócios.

Achei o jogo fraco. Estava esperando um 10 a 0, pelo menos reclamou. Não entendo muito, mas acho que o Brasil não passa das oitavas de final. Só não reclamo porque acho que a clientela vai aumentar. Jogo afasta os clientes. Quando é do Flamengo, então, as meninas nem vêm...

Na hora do jogo, o Villa's Bar, lanchonete e segundo lar do dono Alan Delon, era o lugar para se estar. Sob as bandeirinhas, os espectadores se reuniam em torno de um telão que teimava em desligar, com direito a churrasquinho e caldo verde. Durante o jogo, os olhares se desviavam da tela para os shorts minúsculos das garotas, que comemoravam com entusiasmo os gols. Em um público formado por homens, um grupo pálido de jovens, incluindo garotas, destacava-se. Eram os membros do International Field Program, composto por alunos de Nova York e da PUC, que decidiram assistir ao jogo na Vila, um dos lugares onde fazem projetos. Emma Saloranta, mestranda de Relações Internacionais da New School, em Nova York, aprovou a escolha peculiar de local.

Foi estranho de um jeito bom comemorar aqui, pois sabemos o que essas mulheres fazem, mas ao mesmo tempo sabemos que são mais que isso. São mulheres, esposas e mães que exercem essa profissão.