Na terra da Copa, souvenirs para todos os gotos

Natália da Luz, especial, JB Online

JOHANESBURGO - A África do Sul é a terra do ouro, diamante, cobre, mas os presentes irresistíveis por aqui são bem mais baratos... Máscaras africanas, colares de miçangas, telas com savanas, ovos de avestruz, girafas de madeira quase do tamanho do comprador! Há uma variedade riquíssima de "souvenires" para todos os gostos e o melhor é saber que os preços são compatíveis para bolsos pequenos .

É impossível não levar para a casa essa mostra da África do Sul e do continente africano, carregada de simbolismo e de estilo. Há artigos belíssimos produzidos nas zonas rurais e cidades africanas, revendidos por uma nota preta em lojas requintadas pelo mundo. Um detalhe que vale para qualquer lugar do planeta é aproveitar a oportunidade e comprar em feiras abertas ou mercados de produtos típicos. Esses lugares estão espalhados pelas cidades-sede da Copa, que abrigam um pouco da cultura e do artesanato dos países vizinhos. Uma delas é o African Craft Market, que fica no bairro de Rosebank, em Joanesburgo.

De Moçambique, chegam os artesanatos pequenos de madeira e as famosas capulanas, tecidos usados na confecção de roupas, bolsas e capas. Outro tecido que também faz sucesso vem da Nigéria, mas esse já tem a sua própria forma. São roupas mais trabalhadas que, na maioria das vezes, são vendidas em conjunto: saia, blusa e uma faixa para a cabeça.

Do Zimbábue, chegam grandes peças de madeira produzidas em várias cidades do país, inclusive na capital Harare. Quando chegam à África do Sul, elas são montadas e recebem o último acabamento. No caso de produtos maiores temos colar, fixar cada parte e limpar. Eles não podem vir prontos. Fica mais difícil para transportar e mais fácil de quebrar , disse Mark Ganuxurv, zimbabuano, que fazia o acabamento de um hipopótamo de madeira, enquanto conversava com o Por dentro da África do Sul.

Há muitos artigos do Zimbábue, país vizinho que passa por uma trágica crise. A crise econômica do país fez com que o preço perdesse referência, tornando o comércio para os estrangeiros um negócio absurdamente vantajoso. Com uma inflação recorde de 11 milhões % registrada em junho de 2008, os zimbabuanos viram seu dinheiro se transformar em pó. A grande atração do país é um souvenir bem trabalhado, feito em pedra. Muito procuradas, as Ukama são esculturas populares, representando família, amor e a longevidade nos relacionamentos. São as preferidas dos turistas que desejam disseminar sentimentos de paz e harmonia. Esse trabalho artístico é muito tradicional dentro da cultura shona, grupo étnico que corresponde a quase 80% da população do Zimbábue. Os turistas gostam muito dos objetos e preferem levar para alguém sempre muito próximo da família. Falamos sobre o significado e eles pensam em alguém querido , contou Mark.

Na loja ao lado, encontramos máscaras de várias regiões da África, grande parte repleta de simbologia e crença. Essa aqui é a mais famosa da minha loja! Ela simboliza a fertilidade. As mulheres que querem ter bebês devem comprá-las! , indicou Mpmelelo.

This is África. We can bargan!

No African Craft Market, onde trabalham 120 pessoas em mais de 75 lojas (erguidas como estandes), encontramos africanos do Sudão, Camarões, Congo, Gana... Dentro das lojas, a multiplicidade é ainda maior! Os artigos africanos percorrem do norte ao sul do continente. Hassan Abubalar deixou Gana há quatro anos para viver na África do Sul, onde ele diz ser muito feliz. Como um bom vendedor, ele oferece aos visitantes diferentes produtos que possam agradar turistas de todo o tipo. Tapete do Congo, bonecos da Costa do Marfim, esculturas de Mali, objetos do Senegal, tambores da África do Sul e de Gana... Barganhamos os tambores com ele, seguindo o slogan do mercado: This is África. We barggan! (Isso é África. Nós barganhamos! ).

A prática de barganha é sinal de respeito com os vendedores. Mostra que os africanos são capazes de negociar com gente de qualquer parte do mundo. Apoiados nessa ideia, fizemos um bom negócio... Hassan nos ofereceu um tambor-miniatura produzido em Gana, primeiramente por 200 rands. Quando soube da nossa relação com o Brasil reduziu para 150 rands! Um desconto pela fama simpática do nosso país. Sem uma resposta imediata minha, sugeriu uma negociação:

Diga-me quanto é um bom preço para você?

Para mim... Que tal 120 rands?

Hummm... Esse tambor é muito especial, bem feito e veio diretamente de Gana! Suba um pouco mais o seu preço...

Então, ofereço 130...

Fechamos em 130 rands e Hassan ficou feliz. Desta forma, turistas e vendedores saem satisfeitos após uma boa aula de cultura africana e um souvenir que vai levar um pouco da África para dentro dos lares brasileiros!