Zico ironiza: "já disseram até que a bola é muito redondinha"

Celso Paiva, Portal Terra

JOHANNESBURGO - Aproveitando a parada do Campeonato Brasileiro, o novo diretor de futebol do Flamengo, Zico, viajou para a África do Sul para acompanhar o Congresso Anual da Fifa e para a abertura da Copa do Mundo, no próximo dia 11 de junho. O Terra encontrou o ex-jogador da Seleção Brasileira enquanto ele passeava por um shopping próximo a Nelson Mandela Square, uma das praças mais movimentadas de Johannesburgo, na região nobre de Sandton.

Atencioso, o dirigente rubro-negro deu uma entrevista falando assuntos como a Seleção Brasileira, a Argentina e a volta ao Flamengo. Zico ainda usou de ironia sobre as reclamações com relação a Jabulani, bola oficial da Copa do Mundo. "Fiquei um pouquinho preocupado porque teve alguém que disse que ela era muito redondinha. Isso me chamou um pouco a atenção". Acompanhe a entrevista com Zico:

Terra - Quando você chegou na cidade? O que tem achado do país, do clima para Copa?

Zico - Cheguei agora, faz duas horas. O clima total, africano gosta muito de futebol, tomara que eles possam ser bastante hospitaleiros e façam uma grande Copa.

Terra - O que você tem a falar da Seleção Brasileira. Provavelmente você não viu o jogo com a Tanzânia, mas todo o resto o que tem achado?

Zico - Estes jogos treinos é mais para colocar o pessoal em ritmo. O time está pronto, preparado. É mais para se reunir mesmo, tem uma equipe muito forte e equilibrada em todos os setores. Entra na Copa como um dos favoritos.

Terra - Quem você aponta como favoritos para o Mundial?

Zico - Eu gosto de ver jogar e acompanhei as Eliminatórias Europeias, eu gosto muito da Espanha. A Inglaterra melhorou muito com o Capello, mas vem sofrendo com muitos problemas de contusão. A gente nunca pode esquecer que nas últimas finais sempre teve aí Alemanha, Itália... A Copa do Mundo é um clima diferente. Eu torço pra que apareça uma seleção africana entre as quatro, acho que seria bom para o futebol.

Terra - A seleção do Maradona, o que você tem achado?

Zico - É um ataque fantático, depende muito da parte individual. Se o Messi for bem, passa a ser uma das favoritas. Eu acho que é muito pouco para a quantidade de jogadores bons que a Argentina tem.

Terra - O que você tem a falar sobre a bola? Você a viu, tocou nela? O que ela tem de tão diferente assim?

Zico - Fiquei um pouquinho preocupado porque teve alguém que disse que ela era muito redondinha. Isso me chamou um pouco a atenção.

Terra - O Felipe Melo disse que ela é igual "patricinha", não gosta de ser chutada...

Zico - Bola é bola é igual em todo mundo. Estando redonda, está rolando, dá para jogar. Para quem já jogou com bola de plástico. Os goleiros reclamarem é até compreensível. O futebol em si sempre foi colocado em função da criação de gols. O goleiro sofre. Algumas regras mudam para dificultar os goleiros. Então a bola é uma delas. Então eu aceito quando os goleiros reclamam. O resto não tem direito de reclamar.

Terra - Sua vida já mudou com esse retorno ao Flamengo?

Zico - Vai mudar, dia 15 começa a trabalhar. Estou aqui só para a abertura e o congresso da Fifa. Depois da cerimônia de abertura, no dia seguinte já volto para pegar no batente.

Terra - Mas você já tem conversado com a Patrícia Amorim a respeito de contratações e outros assuntos?

Zico - A gente já tem conversado, lógico que oficialmente é dia 15. Já estamos todos dias nos falando para tentar fazer o melhor para o time do Flamengo.

Terra - Pode adiantar alguma coisa com relação a possíveis reforços?

Zico - Isso vocês só vão me ver falando quando tiver alguma coisa concreta, antes disso da minha boca não sai.

Terra - Depois de disputar e ser auxiliar em Mundiais, qual é a sensação de vir a uma Copa do Mundo apenas para assistir?

Zico - Eu não venho nem como espectador, só para o congresso mesmo. Por ter sido premiado pela ordem do mérito da Fifa, então todos eventos da Fifa eu sou convidado. Como eu ia trabalhar em uma televisão italiana, lá em Milão, e aí apareceu a proposta do Flamengo, mudou toda minha vida. Então, eu venho aqui, estou vindo de um evento beneficente em Hong Kong e venho para cá, faço cerimônia de abertura, depois volto para o Rio e fico só pensando no Flamengo.